Preço do álcool deve cair esta semana

O preço do álcool hidratado deve cair ainda esta semana até 5% nos postos de combustíveis de todo o país, segundo avaliação da SCA (Sociedade Comercializadora de Álcool), que reúne as maiores corretoras do combustível.

Dois fatores são apontados pelos corretores e produtores para que o preço caia. O primeiro é a redução média de 5% no valor da gasolina, o que obrigaria os produtores a baixar o preço no mesmo porcentual para cumprirem acordo feito em fevereiro com o governo federal.

Na época, os produtores se comprometeram a manter o preço do litro do álcool hidratado em 60% do valor cobrado pelo litro da gasolina. Em troca, o governo concordou em reduzir de 25% para 20% o teor de álcool na gasolina.

O segundo fator é o aumento da oferta de álcool hidratado no mercado, em decorrência do início antecipado da safra, em abril, e do alto estoque disponível, que chegou a 500 milhões de litros no início deste mês, segundo a Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo).

“No início da safra, a oferta é muito grande e a tendência é de que os preços caiam”, disse João Carlos Figueiredo Ferraz, presidente da corretora Crystalsev, uma das integrantes da SCA.

Na semana passada, os indicadores Cepea/Esalq já apontaram uma queda de 3,04% nos preços do hidratado nas usinas, que variaram de R$ 0,84854 por litro em 25 de abril para R$ 0,82270 na sexta-feira.

RABO DE GALO – Figueiredo Ferraz admite que há um temor no mercado de que os preços do álcool hidratado caiam muito com o aumento da oferta, o que pode causar um consumo descontrolado do produto, como ocorreu no ano passado, quando aumentou a prática da mistura do álcool hidratado à gasolina durante o abastecimento, nos postos, conhecida como “rabo-de-galo”.

“O ideal é trabalhar com preços controlados, apesar de o mercado ser livre. Variações muito grandes nos preços são problemáticas”, disse Ferraz. “Até para o consumidor seria importante haver uma estabilidade”, completou.

O receio de um consumo desenfreado faz sentido, levando em conta o aumento inesperado da demanda pelo álcool no ano passado. Na época, houve uma explosão no consumo de álcool devido ao grande número de conversão de automóveis movidos a gasolina para o álcool e à prática do chamado rabo-de-galo. Isso ocorreu porque havia vantagem econômica do preço do álcool sobre a gasolina.

Com receio de desabastecimento, representantes do setor sucroalcooleiro recorreram ao governo federal, pedindo a redução de 25% para 20% da mistura de álcool anidro na gasolina, decisão que começou a vigorar no início do mês de março.

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