Preço do açúcar cai ne Bolsa e indianos compram do Brasil

Em meio ao cenário econômico turbulento, os preços do açúcar nas bolsas de Londres e de Nova York tiveram queda de US$ 45 dólares a tonelada desde o início do mês de outubro. Na última sexta-feira, o contrato de março de 2009 fechou cotado a US$ 0,1168 por libra-peso em Nova York (US$ 257,49/tonelada, FOB Santos). Embora tenham terminado o dia em baixos patamares, os contratos reagiram US$ 6/tonelada em comparação com o dia anterior (quinta-feira, dia 16).

“Foi uma boa recuperação, embora ainda não haja fatores fundamentais que sustentem altas. O mercado está muito volátil”, avaliou Antônio David, diretor da David Corretora de Açúcar e Álcool. De acordo com ele, o mercado está um pouco travado neste momento, embora o câmbio seja favorável para exportações. “Os compradores sabem que esse dólar é irreal”, comentou.

As usinas que fixaram preços do contrato de outubro em agosto e setembro, para entrega do produto a partir deste mês até dezembro, fizeram um bom negócio. De acordo com a corretora, quem fixou preços nessa época conseguiu US$ 0,1320 por libra-peso (US$ 291/tonelada) e com a alta do dólar conseguirão boa rentabilidade. “Alguns não travaram o dólar”, disse David.

A baixa de preços que ocorreu ao longo do mês outubro nas bolsas internacionais contribuiu para o desaquecimento de cotações no mercado interno. Segundo David, os valores da saca de 50 quilos foram negociados no mercado spot entre 5% e 7% mais baixos do que o valor do índice do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O Cepea apontou para R$ 31,18 a saca (posto usina e com impostos) na última sexta-feira, variação de -0,16% em relação ao dia anterior. Durante a semana passada, as cotações no mercado interno não fugiram desses patamares.

Índia

Aproveitando a onda de baixas cotações, a Shree Renuka Sugars Ltd., maior refinaria da Índia, anunciou na sexta-feira que vai comprar até 80 mil toneladas de açúcar não-refinado, ou demerara, do Brasil, de forma a lucrar com o colapso dos preços mundiais, que estão ao nível mais baixo em quatro meses, divulgou a Bloomberg. A empresa vai comprar açúcar, refiná-lo em sua usina que beneficia 2 mil toneladas por dia, localizada em Haldia, cidade portuária do leste daquele país, antes de vendê-lo para países asiáticos, disse Narendra Murkumbi, diretor-gerente da refinaria, à agência de notícias.

Para analistas, o volume não é tão significativo perto das 20 milhões de toneladas consumidas pelos indianos. No entanto, não é desprezível para os exportadores brasileiros em um momento de estoques altos. Além das baixas cotações do produto no mercado internacional, a queda do preço do frete internacional também foi fator que contribuiu para a compra. “Os preços atuais (do açúcar) são extremamente atraentes e os custos do frete caíram quase 80% nos últimos seis meses”, disse Murkumbi à Bloomberg. “Vai haver uma grande demanda por açúcar refinado na Ásia e queremos capitalizar nisso”.

Não necessariamente essa compra sinaliza uma tendência. “Pode ter sido uma jogada comercial, algo pontual, para aproveitar as cotações baixas, deixar o produto estocado para aproveitar oportunidade futuramente”, analisou David, da David Corretora. As compras pela Índia, o maior consumidor mundial de açúcar, podem contribuir para sustentar os preços mundiais, que caíram 16% neste mês.

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