Preço da cana é um dos melhores da história, mas custos estão elevados

Estamos em plena entressafra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul. O momento é de rediscussão do planejamento das unidades industriais e dos produtores, hajam vistas os problemas climáticos ocorridos em 2010 que causaram grande impacto nos canaviais, tanto que a produtividade caiu nessa safra e deverá fechar abaixo da safra 2009/2010. A expectativa é que teremos menor oferta de cana-de-açúcar na próxima safra e com isso os preços deverão continuar nos patamares desta segunda-feira (7). A seca atingiu severamente os canaviais e investimentos em tratos culturais deverão aumentar na próxima safra, especialmente em se tratando de sistemas de irrigação e adubação nos canaviais.

O preço do ATR mensal fechou o mês de janeiro quebrando mais um recorde na safra 2010/2011 em R$ 0,4651, um aumento de 4,6% comparado ao fechamento do mês anterior (R$ 0,4445) e 6,9% maior que o valor apurado em janeiro de 2 010. Já referente ao ATR acumulado observou-se uma alta de 2% em relação a dezembro fechando em R$ 0,3842. O custo operacional efetivo médio de produção de cana-de-açúcar alta tecnologia no mês de janeiro sofreu pequena queda (-0,45%) e fechou em R$ 41,21 a tonelada, isso em decorrência da queda de alguns insumos agrícolas. O custo total de implantação fechou em R$ 42,83 por tonelada. Para a próxima safra muitos canaviais serão renovados e a atenção especialmente aos custos de implantação deve ser redobrada. Segundo a estimativa do mês de janeiro, é necessário o desembolso de R$ 5.139,50 para implantação ou renovação total de um canavial. Quando se contabiliza os custos de tratos culturais e colheita, os custos finais aproximados são de R$ 7.700 (1º corte) por hectare.

O mercado continua a pique e o açúcar continua sendo a bola da vez e isso tem ajudado na remuneração um pouco maior dos produtores independentes. Nos cálculos atuais uma cana entregue pelos produtores seria paga , em média, a R$ 58,56 por tonelada, 3,9% maior que o valor pago em dezembro. Se as usinas produzissem apenas açúcar, com os preços atuais de mercado poderiam pagar até R$ 69,34 por tonelada de cana (5,4% a mais que em dezembro). A remuneração das usinas com as vendas do hidratado permitem o pagamento de R$ 51,21 por tonelada, ou seja, 35% a menos. Uma usina com mix de produção de açúcar e etanol remunerou em média no mês de janeiro R$ 60,39 por tonelada, valor 3,6% maior que o valor pago no mês anterior (valores sem desconto de CCT e com desconto de taxas e impostos).

Os preços pagos ao produtor são dos melhores quando se observa o histórico, porém, os custos de produção estão ainda elevados, especialmente no item colheita que corresponde a 50% dos custos a partir do 2º corte (soca).

No mês de janeiro, dos nove produtos da cana-de-açúcar, o ABMI (Açúcar Branco Mercado Interno) continuou no topo e fechou em R$ 0,7110 kg/ATR. O EAI (Etanol Anidro Mercado Interno) cont inuou sendo o hidrocarboneto com maior valor de ATR fechando em R$ 0,4344/kg, segundo maior valor do quilo de ATR de todos os produtos, evidenciando a alta nas vendas de gasolina aonde produto vai à mistura (25%). O ABME e o AVHP dispararam em janeiro e sofreram variação para cima em 7,9% e 10% respectivamente, mostrando que as exportações (vendas) de açúcar continuam aquecidas no mercado internacional.

Segundo o índice Esalq/Cepea, o preço médio de faturamento do açúcar fechou janeiro valendo R$ 1.527 a tonelada, valor 1% maior relativo ao fechamento de dezembro e 7,8% maior que janeiro de 2010.

No mercado internacional, o açúcar continua também em alta e os preços do produto no mercado futuro dispararam e fechou em média 33,68 centavos por libra peso no mercado futuro para março de 2011. Nesse momento de chuvas intensas no litoral, os problemas de logística continuam, mas apesar disso as exportações sem mantêm aceleradas e as perspectivas são de que o mercado intern acional continue a procura do açúcar brasileiro, já que problemas começam a acontecer como chuvas nos canaviais indianos (2º maior exportador) e também por problemas de temporais na Austrália.

Os preços do etanol continuam em alta desde o início da entressafra. O anidro teve aumento de 2% em relação a dezembro, fechando em R$ 1,2332 o litro e 3,3% menor que o valor verificado no mesmo mês de 2010. O etanol hidratado continua tendo altas e apesar do aumento considerado normal no período da entressafra, o preço este ano está 6,7% menor relativo ao fechamento de janeiro de 2010, onde o produto era contado a R$ 1,19 o litro e no fechamento de janeiro deste ano foi cotado a R$ 1,11 o litro. Os estoques reguladores com incentivos do governo deram, em parte, algum resultado, mesmo assim, o preço do produto para o consumidor se aproxima bem do valor encontrado no ano passado em Goiás, R$ 1,86/litro.

O mercado futuro sinaliza a tendência de permanência dos preços altos para toda safra 2011/2012 e os preços do etanol também devem continuar oscilando nos preços mais altos até a chegada da nova safra. Os custos de produção de cana-de-açúcar deverão causar um pouco de dor de cabeça, tanto para a indústria que produz quanto para o fornecedor nesse momento de renovação dos canaviais, especialmente pela escalada de preços dos fertilizantes no mercado internacional. Espera-se um bom fechamento de ATR no final de safra (acima de R$ 0,37/kg de ATR) o que será o maior valor da história desde a criação do CONSECANA. No mês de janeiro foram necessárias 20,64 toneladas de cana para se adquirir uma tonelada de fertilizantes na análise de troca, ou 12,38 toneladas para se comprar o adubo necessário para um hectare, valores um pouco abaixo dos verificados em dezembro.

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