Por ambos os filhos da Presidente

É comum e louvável nas famílias um pai investir positivamente em um filho quando necessário e deixar de lado o outro, que naquele momento parece bem. O que é também comum e nada louvável é quando este cuidado unilateral se perpetua. A atitude acaba por prejudicar a ambos os filhos. O primeiro, corre o risco de tornar-se mimado e dependente e o segundo, distante e ressentido.

Esta situação pode ser aplicada hoje a dois filhos da energia brasileira, o pré-sal e a energia advinda da biomassa, nela incluída o etanol e a bioeletricidade. Embora o segundo filho (bioeletricidade) seja invejado mundo afora como país capaz de chegar a autossuficiência energética de forma sustentável a partir da biomassa, o governo brasileiro, por sua vez, está priorizando cuidados ao pré-sal.

O cuidado, até há alguns meses, era compreensível. O que começa a ficar estranho é o exagero neste cuidado, em detrimento inclusive do outro filho. Pai que é pai não faz comparação entre filhos, é verdade, mas como a ilustração é apenas uma metáfora, vamos listar alguns pontos a favor da energia da biomassa frente aos produtos fósseis:

Os riscos de produção do etanol, por exemplo, são ínfimos em comparação aos do pré-sal, cuja tecnologia de extração, aliás, ainda não está desenvolvida.

Na questão de sustentabilidade, como diz o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, é imensa a vantagem do etanol sobre o petróleo, especialmente o do retirado do pré-sal. Ele faz outras comparações:

No ponto de vista social, enquanto a produção do etanol é intensiva em mão de obra, a de petróleo o é em capital, uma desvantagem para um país em desenvolvimento, em que o crescimento populacional exige a criação de empregos em vários níveis de especialização.

Na questão de produção, quando comparado ao pré-sal, o etanol também leva vantagens, ao contrário da propaganda oficial. Hoje, com apenas 8% dos 200 milhões de hectares atuais de pastagem, seria possível substituir por etanol 5% da gasolina consumida no planeta. A opção por etanol, portanto e com base nessa medida conservadora, proporcionaria produção de combustível líquido entre três e quatro vezes maior que todo o petróleo do pré-sal até hoje confirmado, e não apenas por 60 ou 80 anos, mas indefinidamente.

Por estas e outras comparações é que o setor de bioeletricidade advinda da biomassa requer, como filho, altamente profissional, produtivo e rentável, que não seja esquecido pelo governo Dilma Rousseff.

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