Política de preços não muda, insiste Petrobrás

O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, disse ontem que a auto-suficiência do País na produção de petróleo deixará o País menos suscetível às oscilações da produção no mercado internacional. Não precisaremos estar submetidos à geopolítica do petróleo, poderemos gerir nossos recursos, comentou, durante abertura do seminário Agenda Nacional de Desenvolvimento, promovida pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Gabrielli comentou que, com a auto-suficiência, o Brasil não precisará se ajustar às oscilações de suprimento de petróleo pelo mercado internacional.

A política de preços, porém, não será alterada. O preço dos combustíveis continuará seguindo os preços no mercado externo, pois o petróleo é uma commodity.

Ao falar sobre o papel da estatal no desenvolvimento do País, o presidente lembrou que a Petrobrás responde por 12,5% de toda a arrecadação federal e 25% das receitas dos Estados.

No ano passado, a empresa recolheu R$ 45,75 bilhões em tributos. A Petrobrás deve investir R$ 38 bilhões este ano, contra R$ 25,7 bilhões em 2005.

Até 2010, a estatal planeja investir R$ 120 bilhões no País e no exterior.

AÇÕES

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a queda de mais de 2% das ações de Petrobrás na abertura do pregão ajudou a puxar para baixo o índice Bovespa. Mas o índice se recuperou no final do pregão. Quando a sessão acabou, a Petrobrás PN havia recuado 1,64% e a Petrobrás ON, 1,56%.

Segundo analistas, as ações da Petrobrás caíram por causa das declarações de Gabrielli, mas também pelo recuo da cotação de petróleo, que teve uma queda 0,91% em Nova York, com os contratos para maio fechando em US$ 61,77 o barril.

Um terceiro fator é a possibilidade de elevação nos investimentos da companhia, aventada pelo mercado. Os investidores reagiram mal à declaração do presidente da Petrobrás pela manhã.

Na avaliação dos investidores, essa notícia é ruim porque significa que a Petrobrás vai operar descasada do mercado internacional e pode ter perdas em relação aos seus pares mundiais. O mercado está interpretando que a defasagem de preço da gasolina em relação ao exterior pode aumentar, disse o analista da Corretora Ágora Senior Luiz Otávio Broad.

Na prática, a política da empresa hoje é de não acompanhar a volatilidade dos preços do mercado internacional. Na semana passada, cálculos feitos pela RC Consultores, apontavam que a defasagem entre os preços da gasolina nos mercados doméstico e internacional estava entre 5% e 8%.

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