Petroquímica Braskem vira moeda de troca da Odebrecht

Com uma dívida em atraso de cerca de R$ 10 bilhões que ameaça levar uma de suas empresas a pedir recuperação judicial, a Odebrecht está sendo pressionada a usar a petroquímica Braskem, sua joia da coroa, na renegociação com os bancos credores.

Evitar a derrocada da Agroindustrial, produtora de etanol, é um passo decisivo para espantar uma crise de confiança que poderia arrastar mais empresas do grupo, que deve cerca de R$ 100 bilhões no país e no exterior.

Outro movimento crucial, já em discussão, é a escolha de um novo comando depois da condenação de Marcelo Odebrecht a mais de 19 anos de prisão pela participação no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

Para renegociar a dívida da Agroindustrial e estender o prazo para pagamento, os credores querem que a Odebrecht dê em garantia ações da Braskem, segundo apurou a Folha. A petroquímica é controlada pelo grupo e tem a Petrobras como sócia.

Se um novo acordo for fechado nesses termos, Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil ficarão com um pedaço da Braskem caso a Agroindustrial venha a falhar nos pagamentos outra vez. A petroquímica responde por metade das receitas do grupo, de mais de R$ 100 bilhões.

A Odebrecht prefere não empenhar essas ações e, ainda segundo apurou a reportagem, ao mesmo tempo negocia a venda sua participação na Braskem. A Petrobras já anunciou que vai passar adiante sua fatia na empresa.

Procurada, a Odebrecht disse que “não há qualquer negociação de venda de participação na Braskem”.

Sobre o uso das ações da petroquímica na renegociação da dívida da Agroindustrial, a empresa afirma que “prossegue em diálogo construtivo com os credores”.

TROCA NO COMANDO

Além da necessidade de acertar suas contas, a Odebrecht precisa substituir Marcelo Odebrecht para pôr fim à incerteza dos credores no Brasil e no exterior sobre o futuro da companhia.

O empresário Emílio Odebrecht, principal acionista e pai de Marcelo, esperava que o filho saísse da cadeia para participar das discussões. Com a condenação a 19 anos, a sucessão ganhou urgência e começou a ser rabiscada.

Uma das ideias é reunir em três áreas as 15 empresas e unidades de negócios. Cada área teria um presidente, que responderiam ao presidente da holding (empresa controladora).

Esse modelo de gestão, que vigorou no passado, voltou a ser discutido como solução para a companhia no ano passado. Foi abandonado e agora voltou a ser considerada. Uma das dificuldades para adotar o modelo e definir nomes agora é o medo de que, com o desenrolar da Lava Jato, mais executivos do grupo possam vir a ser envolvidos. Isso restringe a margem para escolha dos nomes que poderiam comandar a companhia.

A Odebrecht negou que esteja trabalhando em um plano de sucessão.

DELAÇÃO

Única das grandes empreiteiras que ainda não fez acordo de delação, a Odebrecht contratou um advogado para tentar um acerto com o Ministério Público em nome dos executivos condenados pelo juiz Sérgio Moro.

Por quase um ano eles rechaçaram a ideia, seguindo a posição de Marcelo Odebrecht. Acabaram cedendo, por pressão de suas famílias. Além da colaboração dos executivos, o grupo começou a discutir um acordo de leniência, em Brasília.

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