Petrobras confirma interesse em comprar participação em usinas

A Petrobras está estudando a possibilidade de comprar o controle integral de usinas termelétricas para reduzir seu prejuízo no setor de energia, disse o diretor financeiro da Petrobras, José Gabrielli, em uma teleconferência com analistas para discussão dos resultados do 1T03. “Estamos tentando abrir um processo de negociação para mudar nossa participação acionária nessas usinas termelétricas”, disse Gabrielli.

“Comparando o valor líquido atual dos contratos com o valor líquido atual da nossa participação acionária, em alguns casos será melhor para nós compra a participação integral dessas usinas”, disse.

Em 31 de março de 2003, a Petrobras disse que o valor presente líquido de sua exposição financeira máxima ao setor de energia, admitindo-se um desconto de 12% ao ano, era de US$1,74bi. A Petrobras alocou US$416mi para cobrir 94% do prejuízo esperado para investimentos em energia em 2004.

Para viabilizar as usinas termelétricas, a Petrobras assumiu o compromisso de fazer pagamentos mínimos a três usinas termelétricas, Macaé Merchant, da El Paso, Eletrobolt, da Enron, e TermoCeará, da MPX, independentemente da quantidade de energia despachada. Desde o colapso do preço do mercado atacadista, para R$6 reais/MWh hoje, poucas usinas vêm despachando energia para o sistema. A compra de ações das usinas é um dos passos para reduzir esses prejuízos.

A Petrobras está contando também com o novo arcabouço em desenvolvimento pelo Ministério das Minas e Energia para oferecer estabilidade suficiente para garantir preços e lucratividade e viabilizar financeiramente os investimentos originais, disse Gabrielli.

A empresa está estudando também a possibilidade de realocar turbinas para poder despachar energia, disse.

“Estamos tentando discutir locais alternativos para algumas de nossas turbinas para aumentar nossas possibilidades de despachar essas turbinas”, disse Gabrielli.

Finalmente: “Estamos tentando incrementar nossas iniciativas de comercialização para tentar firmar alguns contratos no curto prazo e minimizar nosso prejuízo no curto prazo”, disse.

Até agora, essa opção final não tem demonstrado o sucesso esperado, e foi uma das principais razões por que a empresa aumentou as provisões para prejuízos em 2003.

Gabrielli disse que, como a empresa espera tomar atitudes concretas em pelo menos uma dessas opções durante 2003, é cedo demais para estimar o prejuízo provável em 2004.

Além das três usinas mencionadas, a Petrobras detém participações também em seis outras usinas termelétricas: TermoGaúcha, Ibiritermo, TermoRio, Araucária, TermoAçu e TermoSergipe.

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