Pesquisador defende colheita integral da cana

A colheita do palhiço e da cana, por meio de uma mesma colhedora, vai mudar paradigmas no setor sucroalcooleiro. Quem diz isto é o professor Tomaz Caetano Ripoli, pesquisador da Escola Superior Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo — Esalq/USP, que realizou um minucioso estudo, encomendado pelo Grupo Cosan, para verificar qual é a maneira mais econômica e eficaz para o recolhimento do palhiço. “No começo poderá haver resistências, mas a tendência é ocorrer uma aceitação da colheita integral da cana devido às vantagens desse sistema”, ressalta ele que fez a pesquisa, juntamente com Marco Lorenzzo Ripoli, doutorando da Unesp, de Botucatu e Vicente Casagrandi, do Grupo Cosan, que foi coordenador do projeto.

A convicção do pesquisador da Esalq não surgiu por acaso. É resultado de dez meses de trabalho, que envolveu a atuação de vinte pesquisadores e técnicos.

Foram analisadas 151 variáves em três sistemas: colheita integral,

enfardamento e recolhimento a granel. O sistema integral se apresentou como o mais vantajoso sob o aspecto econômico-financeiro: enquanto o seu custo é de R$ 5,25 (R$/EBP, que é o custo efetivo em Equivalente Barril de Petróleo), o de enfardamento ficou em R$ 10,82 e o recolhimento a granel em R$ 13,61. A colheita integral apresentou, também, uma melhor eficiência energética, que ficou em 98,5%, seguida pelo recolhimento a granel, que é de 98% e o de enfadarmento, que alcançou apenas 83%.

Para Tomaz Ripoli, a economia da colheita integral poderá se estender para a colhedora que deverá ter, nesse sistema, gastos mais reduzidos com a manutenção. É que a máquina opera, na colheita integral, com exaustores e ventiladores desligados, o que diminui significativamente a quantidade de rebolo estraçalhado, porém aumenta a quantidade de impurezas minerais. A pesquisa constatou o carregamento de 1,39% de terra na colheira integral, de 0,63% no enfadarmento e de 4,50% no recolhimento a granel. Aliás, a adoção

do sistema integral exige a instalação de uma estação de pré-limpeza na usina. Apesar da estação ter um custo aproximado de R$ 1,5 milhão, Ripoli está convencido de que a economia e os benefícios desse sistema compensam os investimentos.

Outros pontos positivos – segundo ele – da colheita integral são a redução do índice de destruição de soqueiras e a diminuição da compactação do solo.

Com a colheita conjunta de cana e palhiço, haverá uma redução do número de operações de máquinas pesadas no campo. Além disso, a eficácia no recolhimento da palha – que é uma excelente fonte para a geração de energia – possibilita um melhor controle da cigarrinhas das raízes, favorecimento da brotação de soqueiras e redução da incidência de incêndios.

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