Pesquisa indica ampliação de área para plantio da cana

Estudos que estão sendo desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que a dimensão do zoneamento da área propícia para o cultivo da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul deve aumentar. O pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Sérgio Delmar dos Anjos e Silva, acredita que em cerca de dois anos os zoneamentos indicarão locais, além dos tradicionais, para o aproveitamento de cana.

Hoje, regiões gaúchas como o Noroeste e o Litoral Norte já são notórias pelas condições adequadas para o cultivo da planta. No entanto, Silva prevê que localidades na Metade Sul, por exemplo, também poderão ser satisfatórias. Isso porque trabalhos desenvolvidos por Embrapa, Fepagro, Emater e diversas cooperativas e universidades gaúchas estão apresentando materiais com grande tolerância ao frio. Em regiões mais geladas, a cana seria mais indicada para a produção de etanol do que de açúcar. O zoneamento para a cana-de-açúcar, que deve ser apresentado pelo governo federal ainda neste mês, pode sugerir um potencial de plantio da planta em 850 mil hectares no Rio Grande do Sul.

Outra notícia positiva é que pesquisa executada desde 2007 pela Embrapa no Estado, a respeito de identificação de variedades de cana, receberá no próximo ano cerca de R$ 3 milhões da Finep. “Queremos desenvolver genótipos de cana aptos à colheita mecânica”, diz Silva. Os estudos envolvendo a cana destinada à produção de álcool são um dos maiores interesses da Embrapa no momento.

O diretor-executivo da Embrapa, José Geraldo Eugênio de França, argumenta que se o assunto biocombustíveis era importante há alguns meses, agora, em um período de crise econômica mundial, cresce sua relevância. “Se não tivéssemos a nossa produção de álcool, ficaríamos muito dependentes do petróleo”, afirma França.

A Embrapa, que conta hoje com 2,25 mil pesquisadores espalhados pelo País, pretende contratar mais 750 até 2010. O orçamento da instituição também deverá saltar de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,5 bilhão em dois anos. França e Silva participaram ontem do Simpósio Estadual de Agroenergia e da 2ª Reunião Técnica de Pesquisa em Agroenergia, que será realizado até amanhã, no Salão de Convenções da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre.

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