Para frear instabilidade de safras, Índia fixa preço do açúcar no país

A decisão da Índia de fixar os preços da cana-de-açúcar em todo o território nacional poderá abrandar a escassez do produto no país e atenuar as flutuações das safras anuais, disseram altos funcionários do setor na Índia. O país é o maior consumidor mundial de açúcar.

O governo indiano está determinando um preço de referência que as usinas vão pagar, segundo política anunciada pelo Ministério dos Alimentos no último dia 22. Até agora, os Estados fixavam seus próprios preços, muitas vezes em níveis superiores ao custo nacional, levando algumas usinas a reduzir as compras de cana e da produção de açúcar refinado.

“Agora, todas as usinas vão pagar o mesmo preço”, disse Vivek Saraogi, diretor executivo da Balrampur Chini Mills Ltd., a segunda maior produtora da Índia, em entrevista concedida ontem por telefone. “Essa é a melhor coisa que já aconteceu no setor nos últimos 25 anos.”

A cotação do açúcar quase dobrou este ano depois que a Índia se tornou uma importadora líquida do produto pela primeira vez em três anos. A nova norma vai reduzir os custos da Balrampur Chini, da Bajaj Hindusthan Ltd. e de outras produtoras com usinas em Uttar Pradesh, o principal Estado produtor de cana do país. “Essas empresas anunciaram na semana passada uma alta de 18% dos preços a serem pagos aos produtores de cana”, disse Nirmal Shah, analista da Alchemy Share & Stock Brokers Ltd.

O governo federal indiano fixou o preço-piso para a cana em 107,76 rupias (US$ 2,3) por 100 quilos para o ano a encerrar-se a 30 de setembro de 2010. Uttar Pradesh determinou na semana passada que as usinas pagassem 165 rupias por 100 quilos pela cana de qualidade geral, e 170 rupias pela variedade de maturação precoce. No ano passado o Estado fixou um preço de até 140 rupias, comparativamente ao de 81,18 rupias fixado pelo governo, o que elevou os custos das usinas.

Indonésia

“A Indonésia deve adotar uma escala móvel de tarifas sobre a importação de açúcar em 2010, que permitiria que as alíquotas fossem elevadas ou reduzidas de acordo com os preços internacionais”, afirmou Yamin Rachman, diretor executivo da Associação Indonésia das Refinarias de Açúcar. “Tal instrumento permitirá que o governo reduza a volatilidade nos preços domésticos”, afirmou.

Recentemente, o país reduziu as tarifas que incidem sobre a importação de açúcar refinado e demerara para elevar os estoques domésticos e amenizar os preços.

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