Oportunidade para o açúcar

A primeira oportunidade comercial para o Brasil com o alargamento da União Européia (UE) a mais 10 países surge no setor de açúcar, justamente um produto que é alvo de conflito comercial bilateral.

Daí a importância simbólica de decisão tomada em Bruxelas no tratado de acessão da Eslovênia, sobre a alocação de cota de 30 mil toneladas para abastecimento da única usina de açúcar que existe no país.

Havia a suspeita de que Bruxelas poderia usar no tratado linguagem favorecendo unicamente o açúcar procedente de países da África, Caribe e Pacifico (ACPs), com base nos acordos preferenciais de comércio que a UE tem com suas ex-colônias.

A quantidade em jogo é ínfima em relação à capacidade brasileira de exportação. Mas, até por questão de princípio, a diplomacia brasileira em Bruxelas fez articulações junto à Comissão Européia para que a cota fosse oferecida ao mercado em condições idênticas para todos.

Enfim, o tratado da acessão da Eslovênia, assinado no dia 16 de abril ema Atenas (Grécia), “deu plena satisfação para o Brasil”, como diz um diplomata. Não há menção a acordo preferencial. A própria Eslovênia administrará a cota de 30 mil toneladas.

Pelas regras atuais, a cota estará aberta na base do primeiro a chegar é o primeiro que se serve, o que constitui oportunidade comercial ao Brasil, o mais competitivo no comércio de açúcar.

O Brasil exportou 25 mil toneladas em 2001, mas em 2002 a importação veio de outras fontes. Agora, como alerta o embaixador em Bruxelas, José Alfredo Graça Lima, é o momento do empresariado voltar ao circuito para fazer os contratos que habilitem a exportar.

Enquanto isso, Brasil, Austrália e Tailândia podem pedir nos próximos dias a abertura de painel (comitê de investigação) contra a UE na Organização Mundial de Comércio (OMC), alegando que o regime de açúcar europeu rompeu os compromissos internacionais da UE.

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