Obama não quer cometer erro de Roosevelt

Obama já discute os primeiros nomes de sua equipe, e há razão para que isso seja feito apenas algumas horas depois de eleito: a crise.

O economista Tom Trebat, da universidade de Columbia, me disse que o que ronda Barack Obama é o medo de cometer o mesmo erro do presidente Franklin D. Roosevelt, eleito em 1932.

Entre eleição e posse, ele ficou quatro meses afastado de tudo. Neste período a recessão virou depressão. Por isso, Obama já começou a trabalhar e terá a dura tarefa de dar seguimento a propostas e formar equipes antes de ser presidente.

Na área econômica, ele está somando pessoas que trabalharam com Clinton, como Larry Summers, mas quer também nomes dele, para renovar. Por exemplo: Timothy Geitner, que hoje é presidente do Fed de Nova York é um dos cotados – e Jon Corzine, governador de Nova Jersey. O chefe de gabinete que Obama nomeou também trabalhou com Clinton, mas é amigo e do mesmo estado de Obama.

Ele precisa de equipe, idéias, e de atuação junto ao Congresso para aprovar medidas que reduzam a crise já. O desemprego está aumentando – amanhã vai sair um número feio -, o crédito mais raro e os despejos continuam. O consumo dos americanos é dois terços do PIB.

Uma das idéias que defendeu na campanha e que deve ser implementada é um novo pacote de estímulo ao consumo e 90 dias de suspensão da cobrança de hipotecas.

O mercado tem caído com medo da recessão e porque como sempre acontece, ele subiu antes do fato. No Brasil, em uma semana, na esperança da eleição de Obama, subiu 37%. Isso contribuiu para a queda forte de ontem.

Aqui no Brasil, a eleição de Obama não permite ficar muito otimista com relação ao etanol. O presidente eleito não se comprometeu em reduzir barreiras ao etanol. Pelo contrário, ele foi apoiado pelos produtores locais que estão quebrando com as dificuldades econômicas.

Já no combate às mudanças climáticas, Obama será diferente de Bush, segundo o economista Lorde Nicholas Stern, que entende muito de mudanças climáticas e que eu entrevistei em São Paulo.

Na campanha, Obama falava em milhões de empregos que podem ser criados com a energia limpa e com a economia de baixo carbono vai permitir. É exatamente essa nova economia, segundo Nicholas Stern, que pode ajudar o mundo a sair da recessão agora.

Para Stern, que foi economista-chefe do Banco Mundial, o maior risco que o mundo pode correr é aumentar o protecionismo, porque foi isso que aprofundou a crise de 1929. Mas Obama defendeu proteção à indústria americana, durante a campanha.

O que se pode esperar dos Estados Unidos, em relação à América Latina, é que Obama não repita o desprezo à região do começo do governo Bush. O atual presidente demorou dois anos para nomear o subsecretário para América Latina e, quando o fez, escolheu uma pessoa que só se preocupava com Cuba.

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