“O medo de comprar um automóvel movido a álcool acabou”

Com relação ao carros equipados com o sistema de combustível flexível, muito se especula sobre a economia que o usuário pode conseguir fazendo contas de qual combustível é mais negócio dependendo do posto ou da cidade. Mas será esse o diferencial principal para o sistema? Na opinião dos fornecedores a resposta é não.

“O consumidor não será ‘fisgado’ pelo consumo ou preço de cada combustível, o Multi Fuel tem que ser encarado como um carro a gasolina que se pode usar álcool quando quiser; com o sistema o medo de comprar um automóvel movido a álcool acabou, assim como a desvalorização na hora da revenda”, fala o diretor de engenharia da Delphi, Roberto Stein.

Extremamente competentes, os sistemas Flex esbarram, no entanto, em uma barreira técnica para o “casamento” entre gasolina e álcool no mesmo tanque: a taxa de compressão. Enquanto no gasolina a taxa é, em média, de 10:1, nos propulsores a álcool a taxa é de, no mínimo, 12:1, ou seja, composto de água, o álcool hidratado precisa de mais pressão para uma queima mais precisa, que gere mais torque/potência.

Com taxa menor -a mesma da gasolina- um veículo com o sistema “Flex” abastecido só com álcool tem desempenho de 5% a 10% inferior quando comparado a um carro a álcool 100%, sem a tecnologia bicombustível. “Com relação aos veículos gasolina, no entanto, a performance é exatamente igual, sem nenhuma perda”, compara o diretor de engenharia da Delphi.

“No futuro, acredito, só teremos motores com sistema de combustível flexível; claro que dependerá da aceitação por parte dos consumidores, mas pelo lado das montadoras é um ótimo negócio já que em vez de duas linhas de montagem de motores -uma para álcool e outra para gasolina-, no curto prazo pode-se ter uma só, reduzindo significativamente os custos de produção e ganhando em agilidade”, conta Roberto Stein.

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