O futuro da biomassa

No último dia 06/02, o consultor da Unica, Onório Kitayama, esteve reunido com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tomasquim, e com o novo secretário de Desenvolvimento Energético, Marcelo Poppe – responsável pela área de fontes alternativas do ministério – , para discutir a regulamentação do Decreto n.º 4.541, que institui o Programa de Incentivo as Fontes Alternativas – PROINFA.

Na ocasião, o consultor encaminhou as questões levantadas pelo Conselho Informal de Cogeração da Unica. (Unica)

O futuro da biomassa

Segunda Grande Guerra ( 1939 – 1945 ). Com a entrada do Brasil no conflito, motivada pelo torpedeamento dos navios petroleiros ficou o país sem derivados de petróleo já que não tínhamos nenhuma província petrolífera e também não tínhamos refinarias de petróleo; todo combustível – óleo pesado, diesel, querosene, gasolina, gás, eram importados a granel. Com a interrupção forçada dessa importação e as reservas internas relativamente curtas ficou o país em situação crítica. O Presidente Vargas criou então a Coordenação da Mobilização Econômica cuja direção coube ao coronel João Alberto Lins de Barros, com sede na capital da República no Rio de Janeiro, sede política, porque, na prática, a Mobilização Econômica funcionava no IPT ( Instituto de Pesquisas Técnicas) em São Paulo. Na área de combustíveis, no IPT, coube ao doutor. João Luís Meiller, um dos Chefes de Serviço Científico, organizar a Comissão Estadual do Gasogenio que ficou responsável pelo desenvolvimento da energia substitutiva dos derivados de petróleo, desde a lenha até a energia elétrica, passando pela energia eólica, carvão mineral, xisto betuminoso e todos os gases combustíveis, gasogenio, gás d água, gás de alto forno, até os óleos vegetais e o álcool que naquela ocasião já era usado como aditivo a gasolina, na forma de álcool anidro, em pequeno teor (5 a10%).

Transição política – O mundo vai assistir ao longo do tempo a transição da política do petróleo para a política da biomassa. Essa transição será feita por etapas, aproveitando – se das oportunidades geradas pelas crises energéticas mundiais. A primeira ocorreu na 2º Grande Guerra conforme narrado acima; a segunda, no choque do petróleo, em 1973 e 1979 quando foi possível criar se o Programa Nacional do Álcool, PNA, demonstrando o sucesso político, econômico e empresarial da energia alternativa , no caso o álcool combustível. A terceira deverá ocorrer nos próximos anos quando a exaustão do petróleo tornar proibitivo seu uso como combustível devido ao preço. Será nessa fase da História que a biomassa irá ocupar o seu lugar no mundo todo começando pelo Brasil, quando haverá oportunidade para grandes empresas brasileiras participarem, e, até, dominarem o mercado mundial de energia renovável, a energia da biomassa.

A Universidade brasileira provou que: O álcool podia ser um combustível melhor do que os derivados do petróleo não só pelo fato de ser renovável, mas, também por ser um composto único, quimicamente falando, e, nesse aspecto, muito superior à gasolina ou diesel que são misturas de mais de vinte hidrocarbonetos diferentes.

que o álcool podia ser fabricado em larga escala, como combustível, a preço competitivo desde que obedecendo a inovações tecnológicas, (já provadas) e agrícolas ( viáveis e atraentes porém ainda não incorporadas, como a inoculação das gramíneas);

que o motor a álcool pode ter grande desenvolvimento tecnológico, atingindo alto nível de rendimento termodinâmico e aceitabilidade ambiental, que os derivados de petróleo não poderão atingir;

que o Brasil pode somar as 3 fases de uma política energética bem planejada, agrícola, industrial e comercial, criando grandes empresas capazes de abastecer o mundo com os combustíveis da biomassa, como faz hoje o cartel do petróleo com os hidrocarbonetos.

São essas as razões pelas quais a Universidade brasileira, que começou, na época da Guerra, essa revolução tecnológica, continuará insistindo em suas pesquisas, até encontrar respostas na iniciativa empresarial verde amarela.

De nossa parte podemos garantir que o Centro de Pesquisas de São Carlos continuará olhando o futuro com a confiança e certeza de que chegará lá.

Romeu Corsini é superintendente do

Centro de Pesquisas da USP de São Carlos

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