O etanol geneticamente modificado

Em tubos de ensaio, pesquisadores da Universidade Federal de SC (UFSC) trabalham num projeto que promete revolucionar o mercado de produção de etanol. No laboratório de bioquímica nasceu a ideia que busca aumentar a produção de biocombustíveis, no caso, o etanol, com a mesma quantidade de cana-de-açúcar.

O trabalho liderado pelo pesquisador Boris Stambuk consiste no melhoramento genético de leveduras – fungos – utilizadas na produção do etanol. No laboratório, a equipe obteve ganhos de até 10% na produção de álcool a partir da mistura de cana-de-açúcar com a levedura modificada.

– Na produção de uma usina, isso representa muita coisa – destaca.

O estudo foi parar na capa de revistas científicas especializadas e agora parte para a aplicação prática. A pesquisa será testada no próximo ano em escala industrial, numa usina no interior paulista (veja explicação abaixo).

Peruano radicado em SC, Stambuk trabalha com pesquisas de leveduras desde 1990. Mas só em 2004 iniciou o projeto que o levou a passar um período como professor visitante na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Fungos microscópicos, as leveduras exercem papel fundamental na transformação do açúcar da cana em álcool durante a fermentação. O que a equipe de Stambuk fez foi alterar o genoma (informação hereditária codificada no DNA) da levedura, aumentando a capacidade de produção do etanol na fermentação.

Na usina, a mesma levedura é usada em vários ciclos de fermentação. E bastam alguns quilos da levedura modificada para aumentar o rendimento de uma tonelada de melaço de cana-de-açúcar.

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