O Brasil é uma viagem

Unir o útil ao agradável. Fazer do que já está feito pela natureza e pelos homens uma fonte de geração de emprego, renda e divisas para o país. Este é o desafio da indústria do turismo no Brasil.

Matéria-prima não falta. Dádiva de Deus, a nossa natureza! Esta é uma terra de dimensões continentais: 8.500 quilômetros de litoral banhados pelo oceano atlântico, com diversos ecossistemas que abrigam florestas tropicais, manguezais, restingas, dunas, estuários e recifes de coral; mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados abrigando pantanal, pampas, cerrado, caatinga, metrópoles, megalópoles, cidades e cidadezinhas históricas ou carregadas de estórias e uma amazônica floresta com suas belezas, mistérios e peculiaridades.

Dentro deste continente diverso há ainda um povo não menos diverso – alegre, contundente, multirracial, holístico. Parece que o mundo é aqui: Japão, Nova York, Caribe, Barcelona, Itália, África, Tahiti, Hong Kong, Austrália, Oriente Médio, brancos, negros, mulatos, índios, asiáticos, católicos, judeus, mulçumanos, budistas, evangélicos, numa brasilidade de raças e credos convivendo em relativa paz – a despeito da violência urbana, sob um teto particularmente privilegiado pela natureza.

O que falta é planejar e, descentralizadamente, aproveitar todas as potencialidades da indústria do turismo, quer seja ele de lazer, negócios, religioso, ecológico ou esportivo.

Para isso há que se investir em hotéis, aeroportos, estradas, segurança e na especialização de mão-de-obra para captar turistas estrangeiros e estimular o turismo doméstico.

Em abril, o governo Lula deu um passo importante nesse sentido. Lançou o Plano Nacional de Turismo, com investimentos governamentais previstos até 2007 de R$ 1,4 bilhão, ao ano, e que somados aos investimentos privados pode chegar a R$ 12 bilhões, com uma geração de 1,2 milhão de empregos.

Confirmadas as expectativas, em 2007, poderemos estar acolhendo 9 milhões de estrangeiros, contra os 3,8 milhões de visitantes do ano passado. Conseqüentemente, teremos um aporte de recurso de US$ 8 bilhões contra os US$ 3,12 bilhões de 2002.

A informação de que o governo tem no turismo uma prioridade é alentadora, porém, há que se mobilizar a sociedade para que esse plano saia efetivamente do papel.

Afinal é preciso mostrar ao mundo e a nós mesmos que o “Brasil não é só litoral, é muito mais, é muito mais do que qualquer zona sul…”

Aranaldo Jardim é deputado estadual – arnaldojardim@uol.com.br.

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