O Brasil descobre a economia nordestina

Seja uma relação direta ou indireta, São Paulo influencia nas decisões, sejam elas de consumo, logística, serviços e fornecimento de insumos industriais ou mão-de-obra especializada. No entanto, há cada vez mais uma independência das regiões, inclusive das decisões e influências paulistas, pois os mercados locais vão se fortalecendo e profissionalizando, além da simplificação e surgimento de novas rotas de exportação.

O avanço empresarial produtivo brasileiro se deu, nas décadas de 80 e 90, por meio da expansão do agronegócio. Triângulo Mineiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Oeste da Bahia foram palco desta transformação no País. Economias primárias assistiram a uma rápida profissionalização dos negócios, influenciada pela chegada de grandes empresas, pelos incentivos fiscais, melhoria da infraestrutura, forte ampliação da produção e, consequentemente, evolução da renda. Para explorar a riqueza do agronegócio, dezenas de cidades surgiram no Planalto do País.

Nem bem se encerra o ciclo de crescimento do Centro-Oeste brasileiro, outra importante região do País dá passos promissores rumo a um desenvolvimento regional autônomo.

As empresas caminham pelo País – muitas, até fora dele. Sempre na busca de melhores condições para produzir e vender. Já faz parte da realidade de boa parte das grandes empresas brasileiras, o Plano Nordeste. A região sempre esteve no mapa, claro, das principais empresas do País. Mas, não como agora – quando se tornou prioridade para a maioria.

O Nordeste é o atual paraíso do consumo brasileiro. Três fatores estão contribuindo decisivamente para está nova realidade: econômico, social e de infraestrutura.

Pelo lado econômico, vários setores empresariais, como imobiliário, de turismo, sucroalcooleiro, de bens de consumo, papéis e celulose, petrolífero e alimentícia, entre outros, estão investindo pesadamente na região, mudando o perfil do emprego e da renda nas principais regiões metropolitanas do Nordeste, e atraindo indústria fornecedora de insumos e serviços. O mesmo ciclo virtuoso de crescimento que aconteceu com o agronegócio no Centro-Oeste há alguns anos, sendo que todos os Estados possuem programas de incentivos fiscais – seguindo o modelo de crescimento lançado por Goiás na década de 80.

Os programas sociais do governo federal elegeram o Nordeste brasileiro como sua vitrine. A transferência direta melhorou as condições de vida de sua população, aprofundou a demanda por produtos e colocou a região no mapa das indústrias.

No que se refere à infraestrutura, os Estados nordestinos não vivem outra realidade da que se apresenta no País – que é a de gargalos em vários modais de transporte e de energia. No entanto, novos investimentos, como, por exemplo, em estradas, portos e a transposição do Rio São Francisco, dão um novo panorama para os empresários.

A realidade é que o Nordeste entrou fortemente na disputa pelos grandes projetos empresariais brasileiros, seguindo uma política programática do governo federal. A disseminação do crescimento econômico com esta força é saudável para qualquer economia, mas requer dos Estados, como Goiás, que disputam a implantação de novos projetos, muita agilidade, eficiência e profissionalismo na apresentação e convencimento de suas potencialidades, pois o Nordeste não é só mais terra de praia e pobreza.

Ouço de dezenas de empresários que o futuro está no Nordeste, por isso, é emergente que Goiás concorra à altura com projetos viáveis e exequíveis, principalmente, de infraestrutura.

Rivas Rezende é empresário e vice-presidente da Adial Brasil

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