Novo plano de recuperação judicial da Renuka é aprovado e usina deve ir a leilão em 90 dias

A companhia sucroenergética Renuka Brasil, controlada pelo grupo indiano Shree Renuka Sugars, obteve aprovação de novo plano de recuperação judicial nesta quarta-feira (29/08), segundo divulgado pela agência Reuters.

Com a aprovação do novo plano de recuperação judicial, a Renuka poderá vender em leilão uma de suas duas unidades produtoras no interior paulista. Trata-se da Usina Revati, em Brejo Alegre. Conforme fontes próximas à negociação ouvidas pela Reuters, o leilão poderá ser realizado nos próximos 90 dias.

Com o leilão da Usina Revati, a Renuka Brasil terá fôlego financeiro para reduzir a dívida. Segundo o portal G1, o endividamento da companhia sucroenergética alcança R$ 3,5 bilhões.

O novo processo de recuperação judicial e a venda da usina, conforme o portal de notícias, também são adotados para os passivos trabalhistas. A companhia sucroenergética enfrenta 300 ações trabalhistas.

A Renuka Brasil controla duas unidades produtoras no interior paulista: a Madhu, em Promissão, e a Revati, em Brejo Alegre.

Juntas, as duas unidades têm capacidade instalada para moer 10,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Leia também: Tudo que você precisa saber caldeiras, vapor e energia será abordado em evento

Segundo o portal G1, uma série de demissões na Usina Madhu vem trazendo impactos negativos não só na vida dos trabalhadores demitidos, como também na economia de cidades da região. O setor que mais tem tido prejuízos é o do comércio.

Desde o fim do ano passado, cerca de 1.250 funcionários da usina que pertence ao grupo Renuka Brasil, foram dispensados. Em Promissão, o comércio sente os efeitos de tantos desempregados.

Segundo levantamento da Associação Comercial de Promissão, a queda nas vendas gira em torno de 20%, relata o G1.

Alguns empresários até estão adotando medidas para baixar seus custos, que vão desde deixar o centro da cidade e se estabelecer em bairros, até diminuir o próprio quadro de funcionários.

“Infelizmente essa situação trouxe queda nas vendas e aumento da inadimplência, porque a prioridade das pessoas acaba sendo morar e comer, e daí não conseguem honrar seus compromissos”, explica Lucimar Rodrigues, vice-presidente da Associação Comercial de Promissão para o G1.

A região também sente os reflexos. Em Lins, por exemplo, o presidente da Associação Comercial da cidade diz que o momento é ruim desde 2015, quando as demissões começaram.

Dívida bilionária

A dívida da Renuka Brasil está estimada em R$ 3,5 bilhões. Um novo processo de recuperação judicial está sendo elaborado e propõe a venda de outra usina do grupo para saldar as dívidas. Enquanto isso, correm na Justiça Trabalhista quase 300 ações contra o grupo.

“É uma situação muito difícil, que não é exclusiva nossa, mas de várias usinas de açúcar e etanol que estão em situação complicada. Estamos fazendo o possível para superar essas dificuldades”, garante Manoel Vicente Bertone, presidente da Renuka Brasil ao G1.

Na última terça-feira (21) ex-funcionários da usina Madhu, a unidade da Renuka em Promissão, reuniram-se em um protesto em frente à empresa. Cerca de 250 pessoas participaram do ato, segundos os organizadores.

De acordo com os manifestantes, que foram demitidos da usina entre outubro de 2017 e junho deste ano, a empresa não teria pago parte da rescisão prometida.

“Fomos demitidos e sem o depósito de do 40% e com a promessa de pagar em seis vezes pagaram duas e a terceira não foi feita. Eles dizem que o pagamento foi suspenso que não tem previsão”, afirmou César Rocha, representante dos ex-funcionários ao portal G1.

X