Novo acordo automotivo só deve sair no dia 12

A indústria de veículos deverá finalmente desfrutar do livre comércio entre Brasil e Argentina, a partir de segunda-feira, mesmo que essa liberdade seja por poucos dias. Os dois países não conseguiram concluir as negociações para a renovação do acordo automotivo, que expira em 1º de julho, zerando temporariamente as alíquotas de importação para o excedente da cota comercializada sem a cobrança de tarifas.

Segundo fontes do governo brasileiro, a determinação das presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner é firmar um novo acordo até o dia 12, quando elas devem se encontrar em Montevidéu, durante a próxima reunião de cúpula do Mercosul.

Nos últimos dias, no entanto, técnicos não conseguiram concluir as negociações e o livre comércio deverá mesmo entrar em vigência. Junto com o açúcar, a indústria automotiva foi um dos únicos setores poupados na liberalização comercial promovida com o início do bloco, em 1991.

A previsão de autoridades brasileiras é que não haja grande desequilíbrio no fluxo do comércio de veículos até o fechamento do novo acordo. Segundo fontes, as cotas não vêm sendo estouradas ultimamente, mas não se descarta que montadoras aproveitem a isenção das tarifas de importação para acelerar embarques.

O governo brasileiro só pretende negociar “em bloco” as questões comerciais com o país vizinho. Essa decisão implica, conforme explicaram funcionários em Brasília, que não haverá barganha especificamente em torno do setor automotivo e um acordo será assinado apenas quando houver ganho no conjunto das questões entre Brasil e Argentina.

A agenda bilateral envolve pontos como as licenças não automáticas de importação aplicadas pela Argentina e a DJAI, declaração juramentada que viabiliza o esquema “uno por uno”, no qual empresas argentinas só recebem permissão para importar um dólar em produtos brasileiros quando comprovam a venda de ao Brasil de igual valor em produtos argentinos.

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