Novas tecnologias movimentam o setor

Em 1970 a região Centro-Sul, especialmente o Estado de São Paulo, registrava uma média de 57 toneladas de cana por hectare. Investimentos das usinas e centros de pesquisas passaram a desenvolver novas variedades. O resultado é que na década de 80 a produtividade por hectare subiu para 71 toneladas, nos anos 90 para 76 toneladas e atualmente está um pouco acima de 77 toneladas. Vinte toneladas ou 35% a mais de cana por hectare em pouco mais de 30 anos.

O envolvimento do setor produtivo com os centros de pesquisas tem sido uma das locomotivas para um melhor desempenho dos canaviais. Na Universidade Estadual Paulista — Unesp, por exemplo, foi implantado o primeiro centro de pesquisas do genoma da cana, que permitirá desenvolver novas variedades mais resistentes às doenças e com maior produtividade.

Na indústria o ritmo é o mesmo, ou seja, novas tecnologias e equipamentos estão como prioridade dos investimentos. O empresário Celso Procknor explica que todo novo equipamento ou acessório é aceito com rapidez pelo setor. É o caso da sua empresa, a Procknor, com uma grande linha de equipamentos e acessórios, grande parte deles em parceria com multinacionais.

Um dos exemplos é o difusor para cana FS Tongaat – Hulett

A mais atualizada tecnologia da África do Sul.

O difusor apresenta o que há de mais moderno e atualizado no que diz respeito à tecnologia do processo de difusão, inclusive com toda a experiência prática e as inovações mais recentes introduzidas na África do Sul.

Dentre as diversas vantagens do difusor para cana destacam-se: extração sempre elevada, normalmente acima de 98%; melhor relação custo/benefício entre investimento inicial e extração de açúcar; custos de manutenção extremamente reduzidos; operação simples e totalmente automatizada, sem necessidade de operadores especializados; excelente flexibilidade operacional (variação de capacidade); elimina a necessidade de peneiramento do caldo misto; reduz as capacidades dos sistemas de clarificação e de filtração; menor consumo de potência no acionamento, ideal para sistemas de cogeração; instalação ao tempo sem necessidade de prédios e pontes rolantes.

Em cada uma das centenas de empresas especializadas em equipamentos e acessórios para o setor há novidades que fazem a diferença no momento da safra. O Condensador Ecológico, da Santin, de Piracicaba, no interior de São Paulo, por exemplo, é uma das grandes novidades do momento, já utilizado na última safra por uma usina e com outras unidades interessadas em implantar a nova tecnologia.

O equipamento substitui o condensador multijato, permitindo uma economia de até 80% de água na planta industrial da usina. Segundo João Carlos Ducatti, engenheiro da empresa, a novidade é acoplada aos equipamentos de produção de vácuo. Com a economia de água exige-se também menor potência de todo equipamento. “Isso significa também economia na energia elétrica, e para quem cogera e vende para a rede é melhor ainda, já que aumenta a sobra do que é gerado pela própria usina”, afirma ele.

Já em Sertãozinho, também no interior de São Paulo, a grande novidade está em andamento para ser implantada nas usinas a partir da próxima safra. Trata-se de tecnologia em parceria com uma empresa norte americana com a brasileira Equipalcool. A nova tecnologia promete um grande avanço no tratamento de caldo, permitindo às usinas uma melhor qualidade no açúcar produzido.

Segundo Reinaldo Alioti, diretor da Equipalcool, a nova tecnologia permitirá às plantas industriais do setor implantarem a produção de açúcar refinado na Grade A de 5 a 40 icumsas no que diz respeito à cor. “Estamos apenas aguardando o projeto para podermos iniciar a fabricação”. Outro avanço do equipamento é que ele evita que durante a evaporação o açúcar acabe incrustado.

O diretor da Equipalcool também confirma que novas tecnologias são sempre absorvidas pelo setor. É o caso do lavador de gases de caldeira lançado pela empresa e que elimina as fuligens. Atualmente cerca de 30 usinas já adotaram o equipamento diante de sua eficiência. A mesma aceitação aconteceu com outros equipamentos, como os alimentadores dosadores rotativos, com acoplamento flexível tipo 8F para alimentador dosador mecânico ARB-15 para ligação entre rotor acionador e moto-redutor.

Outro exemplo é o Clarificador de Caldo, tipo contínuo, modelo CCC-430, construído de acordo com projeto Equipalcool em aço carbono (ASTM A-36-84a), composto por corpo cilíndrico, agitadores com raspadores, caixas de lodo e caldo claro, conjunto de acionamento e tubulação para saída de caldo.

Novos equipamentos e tecnologias fazem a diferença na safra

Outros equipamentos vêm ajudando as usinas a perceberem que novos equipamentos e tecnologias fazem realmente diferença na hora da safra. É o caso, por exemplo, dos circuladores mecânicos para tachos a vácuo, equipamentos que proporcionam vantagens importantes na operação das usinas de açúcar.

Dentre estas vantagens, pode-se citar: aumento do coeficiente de troca térmica do equipamento em função da melhoria significativa da circulação da massa cozida. Isto significa maior capacidade evaporativa e, portanto, aumento de capacidade do equipamento de 30 a 50%; melhoria significativa da qualidade do açúcar, visto que a circulação vigorosa evita a ocorrência de pontos “frios” ou “quentes” no seio da massa e assim evita a formação de falso grão ou a diluição dos cristais, entre outras vantagens.

O Grupo Carlos Lyra está ampliando na atual safra a cogeração de energia elétrica nas usinas Volta Grande e Delta, ambas no Triângulo Mineiro. A confirmação é do superintendente industrial do grupo, Sebastião Costa. A Volta Grande salta de 3 para 9 megawatts e a Delta de 4 para 12 megawatts.

Para isso acontecer foram investidos R$ 20 milhões, com a garantia de um contrato de 10 anos com a Centrais Elétricas de Minas Gerais — Cemig, que compra o excedente de energia das duas usinas. “Energia elétrica para o Grupo Carlos Lyra é o terceiro produto, vindo antes o açúcar e o álcool”, afirma o superintende industrial.

A ampliação foi viabilizada pelo investimento em vários equipamentos, entre eles um condensador ecológico. A nova tecnologia foi desenvolvida pela TGM, de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, onde dezenas de empresas são especializadas em desenvolver novos equipamentos e acessórios que contribuem na melhoria da eficiência das usinas.

Segundo o gerente de marketing da empresa, Adalberto Marchiori, o novo equipamento desenvolvido permite que as usinas possam produzir e cogerar energia elétrica durante os 12 meses do ano, e não somente durante a safra. “Sabe-se, por exemplo, que a Companhia Paulista de Força e Luz — CPFL paga mais para quem produz energia o ano inteiro”, alerta ele.

O novo equipamento é uma turbina de condensação com inovador sistema que passa pela tubulação de vapor, evitando a sua perda para a atmosfera e, por conseguinte, ampliando os ganhos em energia térmica. Há também, em consequência, redução da quantidade de bagaço na caldeiras, e elas precisam ser mantidas apenas pré-aquecidas para a produção de energia o ano inteiro.

O gerente de marketing afirma que cada usina pode ter um tipo de ganho, de acordo com a destinação que pretender com as vantagens do novo equipamento, ou seja, com o vapor quer não se perde. Além disso, a tecnologia permite também economia na água utilizada pela usina.

Robôs separam genes da cana e facilitam estudo do DNA

O Brasil já possui o primeiro centro brasileiro de estocagem de genes de todos os projetos do Genoma. É o primeiro centro da América Latina, com o primeiro robô que está manuseando os genes. Os genes da cana-de-açúcar são os primeiros a terem o DNA seqüenciado. O trabalho terá resultado prático nos canaviais num prazo de dois anos.

O Centro Brasileiro de Estocagem de Genes (Brazilian Clone Collection Center — BCCCenter) foi criado em

decorrência da necessidade de estocagem e distribuição dos clones gerados pelo Sugest, programa de sequenciamento dos

genes da cana-de-açúcar. O laboratório ocupa uma área de 330 metros quadrados no Campus da Universidade Estadual Paulista — Unesp – campus de Jaboticabal, que abriga o único laboratório de estocagem de genes da América Latina.

Nele estão armazenados genes da cana-de-açúcar e de fitopatógenos que atacam as culturas brasileiras. A capacidade de armazenamento do centro é de 1.6132.800 clones,

distribuídos em oito freezers de ultra baixa temperatura. O Centro da Unesp conta com um robô capaz de colocar numa membrana de nylon de 22,5 por 22,5 centímetros 27 mil genes

diferentes em duplicata total de 54 mil.

A membrana de alta densidade ou “chip” de DNA pode ser utilizada pelos pesquisadores para verificar as condições em quer os genes individuais se expressam e, assim, detectar os genes alvos para uma abordagem biotecnológica. Os genes da cana foram os primeiros a terem estes “chips” construídos e distribuídos.

Segundo Sonia Marli Zingaretti Di Mauro,

pesquisadora do Centro, o projeto do genoma da cana entrou em sua segunda fase. Foram separados 275 mil códigos com aproximadamente 43.142 genes. Agora, os pesquisadores trabalham com grupos de genes para saber como eles se comportam. O resultado vai permitir deste maior eficiência no combate a doenças até melhoria na produtividade, mais o setor vai ter que esperar de um a dois anos para desfrutarem dos resultados.

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