Não há corrupção sem corruptos

Mais do que nunca, a máxima “não existe corrupção sem corruptores” precisa ser tratada como um mote a ser respeitado e seguido. Vivemos um momento de transformação de nosso país, em que não podemos relegar nossos valores mais éticos e nosso comportamento moral a um segundo plano.

A cada dia, conhecemos pela imprensa relatos de que conceituadas empresas brasileiras vinham se valendo de recursos criativos de contabilidade e de subterfúgios orientados a escamotear atos, ações e processos destinados a alimentar desvios e a corrupção de agentes públicos e privados.

O que vemos no dia a dia de algumas empresas é certamente um exemplo que envergonharia profundamente o monge franciscano Luca Pacioli, o pai da contabilidade moderna, que, no longínquo século XV, criou o chamado método de partidas dobradas, preparando as bases para as atuais Ciências Contábeis.

Vivemos, também, em um novo mundo globalizado, em que países que não toleram a desigualdade de oportunidades vêm criando leis que extrapolam os limites das fronteiras nacionais na perseguição daqueles que se dedicam a malfeitos. É o caso do FCPA – Foreign Corruption Practice Act, dos Estados Unidos, e do BA – Bribery Act, do Reino Unido. Sem muito sucesso, lamentavelmente, o próprio Brasil vem reforçando seu arcabouço legal dedicado ao combate à corrupção no seio das corporações, como no caso da Lei 12.846, sancionada em 2013.

Os sistemas de controle de desvios contábeis têm evoluído ano a ano, e reduzido chances de gestores desviarem do caminho da retidão e da responsabilidade na condução das finanças corporativas. Mesmo assim, alguns profissionais e empresários pouco éticos valem-se da criatividade e da desfaçatez para enganar órgãos de controle e o Fisco.

Diante do quadro de insatisfação geral do brasileiro, é preciso que cada um de nós decida por não pactuar com as mazelas que tanto mal fazem a nossas instituições. Não aceitamos mais que a corrupção seja protagonista em nossas vidas. O momento é de prezar pela honestidade, pela valorização das relações comerciais limpas, pela correção na gestão pública e privada.

As empresas, assim como as pessoas, precisam zelar por suas responsabilidades. Não adianta simplesmente argumentar que a única forma de sobreviver no mercado é “agindo incorretamente como os outros”. Isso não é uma verdade definitiva. Empresas e pessoas que não transigem da honestidade e da correção existem e, em geral, além de exemplos de atuação, são as que acabam conquistando melhores resultados e, o mais importante, o respeito de toda a sociedade.

É hora de virar essa página de um passado que precisa ser apagado de nossos hábitos e costumes. A corrupção está entre os piores males que corroem as estruturas de uma nação. Temos de lembrar, sempre, que nossas atitudes e ações são a base da transformação daquilo que tanto mal tem feito ao Brasil. Que todos nós lutemos e atuemos por uma sociedade melhor e mais honesta, e que tenhamos a consciência de que o fim da corrupção depende de nossas próprias atitudes.

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