“Muito endividados do setor são alvo de investidores”, diz especialista

Os muito endividados do setor sucroenergético estão na mira dos investidores no momento. Todavia, é geralmente esse grupo que acredita mais que seu empreendimento vale muito que acaba dificultando novos negócios. Os grupos que acreditam no mercado têm mais valor como ativo, significa um investimento maior para quem deseja adquirir, e estão sendo menos assediados.Essa é a opinião de Marcos Françóia, diretor da MBF Agribusiness.

Segundo ele, hoje o setor sucroenergético é dividido em quatro grupos distintos: Os muito endividados (20%), com situação muito complicada e até insolvência: cerca de 60%; os grupos familiares que estão melhores estruturados, mas ainda com um volume de dívida significativo, que ainda pode ser administrado; os grupos familiares ou unidades únicas, com baixo endividamento e pouca dependência de cana de terceiros, que ficam no mercado ao sabor do mesmo. “Esses estão sobrevivendo e continuarão assim por um bom tempo e os grandes grupos”, revela.

Para o especialista, o quadro de crise permanece, se agrava e força a alternativa de fusões e vendas, mas a formação cultural dos gestores geralmente dificulta esse tipo de operação. “A falta de definição estratégica para o programa de energia e para o etanol é o maior fator da crise, que empurrada pela crise mundial, se agrava. A cadeia produtiva esta sofrendo muito e nessa área, das empresas de bens de capital e serviços ligados ao setor, as fusões e aquisições irão aumentar bastante. Sobreviver abraçado pode ser mais fácil, não significando que será a salvação”, lembra.

Ele não vê perspectiva para sair dessa situação de crise caso o governo não contribua, ou as usinas serão adquiridas por grandes grupos no futuro. “A retomada dos preços somente melhora a questão do capital de giro das empresas. A dívida continuará assombrando. As medidas do governo foram tardias e não trazem os resultados divulgados. A redução tributária para o etanol está ficando para as distribuidoras, pois no desespero para fazer caixa as empresas estão repassando a possibilidade de ganho”, lamenta.

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