Mudanças contábeis afetam as usinas de cana. Confira explicações de especialista no assunto

Moraes, sócio da PwC Brasil: mudanças contábeis em foco
Moraes, sócio da PwC Brasil: mudanças contábeis em foco

Maurício Moraes, sócio da consultoria PwC Brasil, explica, em entrevista ao JornalCana, sobre as mudanças para as usinas de cana-de-açúcar que apresentam demonstrações financeiras e convivem com questões tributárias.

Ao longo de 2016, diz ele, essas mudanças incluem a classificação de ativos biológicos.

Mas não é só isso. Confira a entrevista a seguir com o especialista, que participa nesta sexta-feira (09/12), em Ribeirão Preto, do seminário “Temas críticos para a elaboração das demonstrações financeiras em 2016 e questões tributárias relevantes.”

Promovido pela PwC Brasil e pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o evento está programado para a partir das 8h30 no Hotel Mont Blanc Premium. Informações: eventos@anefac.com.br ou (11) 2808-3200.

É possível listar as principais mudanças ocorridas em 2016 nas demonstrações contábeis, e que deverão ser apresentadas pelas empresas em 2017?

Maurício Moraes – São muitas as mudanças ocorridas que podem afetar as demonstrações financeiras das empresas ainda neste exercício [de 2016]. A principal delas, considerando que nossa região é bastante agrícola, está relacionada à mudança de classificação dos ativos biológicos (planta portadora) entre ativo imobilizado e ativos biológicos e a valorização dos ativos biológicos ao valor justo.

Essas mudanças ocorrem para empresas que já apresentam demonstrações, mas só para elas? E quem for estrear nessa divulgação, também já precisa atender às mudanças?

Maurício Moraes – Sim. Todas as empresas que preparam demonstrações financeiras de acordo com práticas contábeis adotadas no Brasil devem atender às mudanças.

Empresas em recuperação judicial e que já apresentam demonstrações também têm de atender às mudanças?

Maurício Moraes – Sim.

Quem não adequou às mudanças ainda tem tempo hábil para as apresentações de 2016 ao longo de 2017?

Maurício Moraes – Depende da empresa. Empresas de capital aberto, por exemplo, que devem apresentar demonstrações financeiras trimestrais, já deveriam estar considerando as mudanças válidas para exercícios iniciados a partir de 1 de janeiro de 2016. Empresas que somente precisam preparar e apresentar demonstrações financeiras anuais, como a apresentação relativa a 2016, normalmente ocorre nos primeiros meses de 2017, ainda é possível avaliar os reflexos das mudanças. Porém, nossa recomendação é que a avaliação dos reflexos das mudanças seja realizada o quanto antes possível.

Existe um prazo para a divulgação das demonstrações? Quem define esse prazo, os conselhos de administração?

Maurício Moraes – Depende da empresa. Empresas subordinadas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central do Brasil, por exemplo, devem respeitar prazos definidos pelo respectivo regulador. Normalmente as demonstrações financeiras de 31 de dezembro de cada ano são apresentadas até, no máximo, 31 de março do ano seguinte, mas isso depende de cada empresa e da necessidade dos usuários das informações, que podem ser os acionistas, instituições financeiras, reguladores do mercado, investidores etc..

Além das S/A capital aberto, há empresas S/A de capital fechado que também apresentam demonstrações financeiras. Essas são obrigadas a essa divulgação?

Maurício Moraes – A lei das sociedades por ações estabelece as obrigações que essas sociedades devem cumprir em relação às demonstrações financeiras (preparação, divulgação, entre outras).

Temos arredondados 300 grupos controladores de usinas. A maioria já apresenta demonstrações financeiras? Essa apresentação é uma tendência no curto prazo para o setor? Por que?

Maurício Moraes – Não tenho esse número ao certo, mas acredito que a grande maioria apresenta demonstrações financeiras de acordo com práticas contábeis adotadas no Brasil. Existe um conjunto de CPCs (normativo técnico emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis) que precisam ser avaliados e aplicados pelas empresas na preparação de suas demonstrações financeiras. Isso não é uma tendência, é uma necessidade. Praticamente todas as empresas estão sujeitas e precisam atender e aplicar essas práticas contábeis.

Comente sobre o seminário em Ribeirão Preto

Maurício Moraes – Trata-se de um evento técnico no qual sócios e gerentes seniors da PwC Brasil estarão apresentando os temas importantes relacionados às mudanças nas práticas contábeis adotadas no Brasil e os desafios para as empresas na adoção das referidas mudanças, seus reflexos etc.. Também estaremos apresentando as alterações na legislação tributária mais relevantes e que também podem impactar as empresas e suas demonstrações financeiras. Ou seja, é um em evento que ocorre anualmente e que historicamente tem sido de grande valia para as empresas.