MS vai se consolidar como o segundo maior produtor de cana do país, garante presidente da Biosul

Em Mato Grosso do Sul existem 21 usinas em operação. Ainda neste ano serão inauguradas mais três unidades gerando mais de 3.000 novos empregos diretos

Portal MS – Notícias – Campo Grande

Abrindo a rodada dos Giros Tecnológicos do último dia de Showtec 2011, o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Holanda Filho, falou sobre o desenvolvimento do setor Sucroenergético em Mato Grosso do Sul.

De acordo com ele o estado vem se destacando no cenário nacional, aumentando a produção em cerca de 50% nessa última safra. “Em 2010 produzimos 34 milhões de toneladas de cana, enquanto São Paulo produziu 360 milhões de toneladas. A estimativa é que daqui a quatro safras vamos disputar o segundo lugar no posto dos estados que são os maiores produtores de cana-de-açúcar do Brasil”, aponta ele.

Segundo o presidente da Biosul, a cana tem se mostrado uma boa alter nativa para o produtor obter maior rentabilidade. “O açúcar tem peso importante na balança comercial. E a cana é mais uma cultura para o produtor ganhar dinheiro. Tanto que na próxima safra vamos ter um crescimento de 20% na produção”, afirma Roberto Holanda Filho.

Em Mato Grosso do Sul existem 21 usinas em operação. Ainda neste ano serão inauguradas mais três unidades gerando mais de 3.000 novos empregos diretos.

Mas ainda existem alguns desafios para o setor Sucroenergético. E este foi tema apresentado pelo engenheiro agrônomo e gerente agrícola de uma grande empresa de Bioenergia do país que atua no estado, Josué Verdério. “Já traçamos alguns caminhos e evoluímos muito. Mas temos os desafios a serem superados e fazer com que a cadeia fique integrada. Para alcançarmos nossa meta de colher 100% da cana crua na safra de 2014 temos que romper várias barreiras organizacionais e também do próprio produto. As variedades ainda sofrem com as condições climáticas e é preciso adaptar o maquinário e o manejo de pragas e doenças. Além disso, devemos pensar na logística, até porque enfrentamos o problema com as estradas vicinais e pontes desgastadas e sem manutenção. Outro desafio é qualificar a mão-de-obra para a colheita da cana crua e, principalmente, atender a Portaria 1510 da NR-31, que solicita o registro eletrônico de ponto”, explica Josué.

Além desses temas, o Showtec 2011 abordou um caso de sucesso de um fornecedor de cana-de-açúcar. O produtor rural Fernando Garcia produz atualmente 1.000 hectares de cana-de-açúcar em sua propriedade localizada no município de Angélica (MS). Trabalhando já 40 anos com a pecuária e 20 anos com a agricultura, há cinco anos ele decidiu inovar a produção e foi procurado por uma usina para implantação de um canavial. “Não adianta produzir cana se não tiver uma usina perto de sua propriedade num raio de 40 ou 50 quilômetros. A nossa conversa avançou e ganhei incentivo de frete e mudas das plantas. Tive muita sorte , pois após dois anos produzindo para uma usina, foi inaugurada outra unidade há 13 quilômetros da minha fazenda. E hoje forneço para as duas empresas”, diz Fernando Garcia que também é presidente da Associação dos Produtores de Cana-de-açúcar Sul-Matogrossenses (Sul Cana).

Ele explica que em 2010 a média anual para o produtor de cana arrendatário foi de R$ 580 por hectare. Já para o fornecedor direto a média anual varia entre R$ 290 a R$ 1.900 por hectare. “É uma lavoura muito tranquila e você não tem aquela paranóia de se preocupar com o tempo e com as doenças que são poucas e não muito difícil de se combater”, finaliza ele.

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