Moagem de cana cresce mais de 17% na segunda quinzena de outubro

Os números de acompanhamento da safra 2008/09, apurados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) até o dia primeiro de novembro, apontam um aumento de mais de 17% na moagem de cana pelas usinas da região Centro-Sul do Brasil, da primeira para a segunda metade de outubro. De acordo com a entidade, que divulgou as informações nesta terça-feira (11/11/2008), o desempenho foi favorecido pela melhoria das condições climáticas na segunda quinzena do mês passado.

“Houve avanços significativos, tanto em relação à quinzena anterior quanto na comparação com os números da mesma quinzena da safra 2007/08”, afirma a UNICA, apontando que o volume total de cana processada na segunda quinzena de outubro foi de 33,72 milhões de toneladas, superior em mais de 17% à moagem da primeira quinzena do mesmo mês e em quase 30% em comparação com o mesmo período da safra 2007/08.

Os dados da UNICA mostram que o aproveitamento médio do tempo disponível para moagem foi de 81% no período. “Os estados do Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais registraram aproveitamento abaixo da média para a região Centro-Sul”, apontou. O volume acumulado da safra 2008/09 até primeiro de novembro foi de mais de 412 milhões de toneladas de cana moída, quase 9% acima do volume da safra passada no mesmo período.

A produção de açúcar na quinzena foi de 1,95 milhão de toneladas, 12,27% superior ao volume produzido na mesma quinzena da safra passada. O total acumulado na safra 2008/09 chegou aos 22,6 milhões de toneladas, 4,77% inferior ao da safra passada. A produção de açúcar consumiu pouco mais de 40% da cana esmagada na quinzena e no acumulado da safra.

As chuvas que prejudicaram a colheita na primeira quinzena de outubro trouxeram reflexos na quantidade de produtos obtidos por tonelada de cana moída na segunda quinzena do mês, índice que caiu de 153,02 para 149,03 quilos. No acumulado da safra, a quantidade de produtos obtidos é de 141,68 quilos, inferior ao acumulado na safra anterior em 2,43%.

A produção de etanol na quinzena foi de 1,73 bilhão de litros, 25,54% superior ao da mesma quinzena da safra anterior, sendo 0,67 bilhão de litros de etanol anidro e 1,06 bilhão de litros de etanol hidratado. No acumulado da safra, a produção totalizou 20,2 bilhões de litros, 15,41% superior ao acumulado na safra anterior. Das 32 unidades previstas para o inicio de moagem na safra 08/09, duas unidades devem iniciar suas atividades em novembro, enquanto três unidades confirmaram sua decisão de postergar o início para a safra 2009/10.

Segundo a UNICA, a demanda por etanol no mercado interno continuou aquecida, com vendas de 1,83 bilhão de litros no mês de outubro, 15% acima do total para o mesmo mês no ano anterior. No período compreendido de abril a outubro, as vendas no mercado interno de etanol pelas unidades da região Centro-Sul superam as vendas no mesmo período da safra anterior em 28%, com destaque para o etanol hidratado. O crescimento das vendas do hidratado no período foi de 38%, especialmente em função da competitividade do produto em relação à gasolina em mais de 90% do mercado brasileiro.

As vendas do etanol anidro cresceram 10% no acumulado da safra, não pelo incremento no mercado de gasolina e sim pela transferência de produto para a região Norte-Nordeste e a ampliação no uso do etanol em mercados não-automotivos.

Quanto às exportações, o mercado americano continua sendo o principal importador de etanol brasileiro. No acumulado da safra, as saídas de etanol para o mercado externo atingiram 3,4 bilhões de litros até o final de outubro, contra 2 bilhões no mesmo período da safra anterior. O total exportado divide-se igualmente entre o etanol hidratado, com 50%, e o anidro, com os outros 50%. A UNICA mantém em 4,2 bilhões de litros o volume de exportação projetado para a região Centro-Sul do País.

A falta de liquidez no mercado financeiro, nas linhas de capital de giro e de recursos para exportação tem levado muitos produtores a ofertar produto no mercado interno em patamares acima da demanda, como forma de financiar o final da safra 2008/09 e honrar seus compromissos com fornecedores de cana, insumos e empregados. Os níveis de preços que vêm sendo praticados estimulam ainda mais o mercado consumidor interno de etanol, num momento em que os preços deveriam estar recuperando receitas para o produtor, como forma de aumentar os estoques para a entressafra.

Mesmo com uma produção de açúcar inferior à da safra passada em 1,1 milhão de toneladas, o que proporcionou uma moagem adicional destinada à produção de mais 2,7 bilhões de litros de etanol em relação ao mesmo período da safra anterior, o nível de estoques em primeiro de novembro deste ano está inferior ao da safra anterior. Esse volume não compromete o abastecimento do etanol anidro para mistura à gasolina, mas o volume de etanol hidratado disponível para a entressafra não é compatível com o volume de demanda que vem sendo observado. A UNICA estima que em algum momento ao longo da entressafra, a demanda se ajustará à oferta, por meio do preço do produto.

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