Ministros defendem biocombustível para alavancar desenvolvimento do Estado

“O biodiesel tem sustentação forte no Rio Grande do Sul, não apenas neste momento de crise, mas pela produtividade, que garante, também ao Brasil, a capacidade de ocupar mercados, a partir da diversificação de culturas e da inclusão social”, anunciou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no encerramento do Simpósio Estadual de Agroenergia e 2° Reunião Técnica Anual de Agroenergia, no final da tarde desta quinta-feira (6), em Porto Alegre.

O evento foi promovido Embrapa Clima Temperado, Emater/RS-Ascar, Fepagro e Sistema Fiergs e reuniu mais de 200 pessoas, entre pesquisadores e técnicos.

Dilma Rousseff destacou que o Governo Federal está analisando os estudos apresentados para o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar. “Seguramente vamos estabelecer diálogos com a sociedade, considerando as áreas de preservação permanente (APPs) e a garantia da produção de alimentos”, observou a ministra-chefe, ao antecipar que o Zoneamento será Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, de de 17 a 21 de novembro.

O encerramento do Simpósio em Porto Alegre também contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que, ao lado do presidente do Sistema Fiergs, Paulo Tigre, e da presidente do Instituto Euvaldo Lodi (Iel-RS), Elisabeth Urban, assinaram termo de cooperação com o objetivo de implementar projetos voltados à diversificação produtiva na pequena propriedade rural.

Também participaram da solenidade o diretor de Desenvolvimento Agrícola e de Suprimento da Petrobrás Biocombustíveis, Miguel Rosseto, o presidente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Odacir Klein, o presidente da Emater/RS, Mário Augusto Ribas do Nascimento, o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Waldir Stumpf Jr, o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Clênio Naiton Pillon, entre outras autoridades e representantes de organizações e entidades.

Desafio energético

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou que o desafio é construir uma matriz energética, fundamentada na produção de alimentos, na segurança alimentar e na sustentabilidade ambiental.

“No Rio Grande do Sul o cenário de desenvolvimento de etanol e de biocombustíveis é favorável porque a agricultura familiar é relevante para a economia”, salientou Cassel, ao citar que 440 mil famílias são responsáveis por cerca de 27% do PIB do Estado. “É uma agricultura forte, produtiva e vinculada a políticas públicas, ou seja, temos todas as condições de prosperar rápido, produzindo alimentos e bioenergia”.

Novas Cultivares

Na parte da manhã, uma mesa-redonda sobre biocombustível como fator de desenvolvimento, teve a presença do diretor de Desenvolvimento Agrícola, Suprimento e Comercialização da Petrobrás Biocombustíveis, Miguel Rossetto, do diretor do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo de Campos, e do representante da Fetag, Nestor Bonfanti.

À tarde, no painel sobre os Cenários Prospectivos da Cadeia Produtiva de Biocombustíveis no RS foi apresentado o Projeto Biocombustíveis no Estado, pelo coordenador executivo do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da Unisinos, Guilherme Vaccaro. Segundo o especialista, há no Rio Grande do Sul e no Brasil uma matéria-prima economicamente atrativa para o biodiesel, mas eventualmente dissociada da produção agrícola tradicional. “A soja continua sendo o produto mais atrativo para os produtores, pois esses já dominam a tecnologia, têm preços e mercados garantidos”, disse.

A introdução de novas cultivares enfrenta barreiras junto aos agricultores. Vaccaro disse que o potencial agrícola do RS representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio para a produção de biodiesel. O estudo mostra indícios de que o alinhamento dos seguimentos da cadeia poderá alavancar ações com vistas à sustentabilidade e à competititvidade nos próximos anos, e também identifica a política pública, especialmente federais, para o desenvolvimento da cadeia produtiva do biodiesel no Estado, no curto e médio prazo.

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