Mercado americano é alvo da Raízen

Com um patrimônio que inclui 4.500 postos (das bandeiras Shell e Esso), 550 lojas, mais de cem terminais em portos e aeroportos e 23 usinas de álcool e açúcar, a Raízen nasce com o objetivo de conquistar compradores para o combustível brasileiro no mercado americano, asiático e europeu.

Segundo Rubens Ometto, presidente do conselho da nova empresa e do grupo Cosan, a idéia é aproveitar a força da Shell para ampliar o mercado do etanol, principalmente nos Estados Unidos. “Com esse lobby, vamos aumentar a penetração do etanol lá fora”, afirma.

Para ele, a Shell têm credibilidade e força política para mostrar ao mundo os benefícios do etanol.

Planos

O principal objetivo da nova empresa é consolidar o etanol como commodity internacional. Para isso, foi definido e aprovado na empresa um plano de investimentos nos próximos cinco anos para aumentar capacidade de moagem de cana-de-açúcar das atuais 62 milhões de toneladas para 100 milhões de toneladas, e dobrar a produção de etanol de 2,2 bilhões de litros para 5 bilhões de litros por ano.

Na geração de energia, a meta é de sair dos atuais 900 megawatts (MW) para 1.300 MW. Também farão parte do portfólio da Raízen a Logen e a Codexis, empresas de biotecnologia e de produção de biocatalizadores, que têm participação da Shell, mas que agora passam para a nova empresa. O objetivo é acelerar as pesquisas com etanol de segunda geração, usando o bagaço de cana como matéria-prima.

As negociações

Pela estrutura de capital da Raízen, Shell e Cosan têm, cada uma, 50% das ações. Também serão criadas mais duas empresas: uma concentrada em açúcar e etanol, que terá a Cosan com 51% das ações com direito a voto; e outra para distribuição de combustíveis, da qual a Shell deterá 51% dos papéis com direito a voto e a Cosan, 49%. Da dívida acumulada pelas duas empresas, cerca de US$ 2,5 bilhões foram absorvidos pela Raízen.

Segundo informou a companhia, como a Shell fez um aporte de US$ 1,6 bilhão na Raízen, a situação financeira da nova empresa melhorou e deve ficar melhor.

De acordo com a empresa, já há estudos avançados para uma primeira emissão de títulos de renda fixa no mercado, incluindo contatos com bancos e agências internacionais de classificação de risco (que atribuem notas aos papéis lançados, que são referências para o investidor estrangeiro).

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