Melhoramento genético cria espécies bem-sucedidas

Segundo afirmou o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Marcos Sanches, nesta terça-feira (17/11), o Brasil alcançou o sucesso na produção canavieira devido, em grande parte, ao trabalho de melhoramento genético iniciado na década de 70 e que dura até hoje. Sanches, que também é diretor-executivo da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor sucroalcooleiro (Ridesa), participa da 2ª Semana do Etanol, em Ribeirão Preto/SP.

“A duração de cada pesquisa pode chegar a dez anos, até encontrar uma espécie ideal”, ressaltou o pesquisador. De acordo com Sanches, é preciso que a planta apresente uma série de característic! as para o desenvolvimento da espécie de sucesso. Cada estudo reúne aproximadamente três mil variedades de plantas, nos quais apenas 2%, aquelas com as melhores características genéticas, são aproveitadas. “Temos que avaliar, filtrar e inserir na planta a quantidade ideal de fibra, de caldo, dentre outros pontos, e incorporar tudo dentro daquela variedade”, explicou.

Pesquisa – A Ridesa é composta por sete universidades federais brasileiras. No total, são 142 pesquisadores, 83 técnicos e 21 estações experimentais, que trabalham na busca de novas variedades de sucesso. O trabalho é realizado de acordo com as especificidades e condições climáticas de cada região. Mais de 50% das espécies encontradas hoje no mercado brasileiro são provenientes de pesquisas da Ridesa.

Em média, 2,5 mil cruzamentos, com diferentes espécies de cana, são realizados por ano, nas sete unidades da Ridesa. Depois de escolhidas as espécies em potencial, são processadas em sementes e distribuídas pa! ra as universidades, que irão fazer a semeadura, de acordo com luz, temperatura e umidade. Esse controle é feito artificialmente em estufa, para uma germinação eficiente, com aproveitamento de quase 100%. “Cada planta apresenta características genéticas diferentes, que garante o sucesso das pesquisas”, finaliza o pesquisador.

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