Margem operacional do hidratado cai para 7%

A questão da competitividade do etanol versus gasolina é uma das mais defendidas pelo setor produtivo sucroenergético porque ao longo do tempo as consequências têm sido desastrosas. De acordo com Jair Pires, diretor executivo da MBF Agribusiness, as perdas do hidratado referentes ao mês de maio, sem a competitividade esperada em relação a gasolina, giram em torno de 20%. “Antes de 2008, para produzir hidratado e vendê-lo o setor conseguia uma margem operacional em torno de 22% de sua receita líquida, hoje está em 7%. A gasolina deveria estar em torno de R$ 3,30 a 3,40/litro atualmente. Já o etanol poderia estar sendo vendido a R$ 1,40/litro livre de imposto, e hoje está sendo vendido a R$ 1,13/litro. Esse valor remuneraria e o empresário poderia ter uma margem maior, mais compensadora”.

Para ele a questão do aumento da gasolina é puramente política. “Se aumentar a gasolina agora, aumentará o etanol, e não é um fator eleitoreiro para a presidente Dilma, que busca reeleição”, relata.

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Ele explica que no passado o preço do etanol girava em torno de 50% do valor da gasolina, mas depois de 2009, passou a estar em torno de 70% do preço do combustível fóssil. “Na prática isso significa que aumentará o endividamento do produtor por tempo indeterminado e isso diminui a margem operacional da usina, pois não sobra dinheiro para investir em tratos culturais e renovação, o que a leva a realizar novos empréstimos na expectativa que reajam os preços”.

Na opinião do especialista, se o governo continuar mantendo essa diferença em torno de 70% não sobrará dinheiro e situação somente se agravará. “A margem ideal seria em torno de 50%“, enfatiza.

Se esse quadro continuar, haverá desinteresse pela produção de etanol hidratado e isso poderá matar o carro flex, segundo o executivo. “As pessoas estão perdendo o hábito de usar etanol nos últimos meses, além disso, houve redução de investimentos no setor e de novos empregos e a inadimplência seguirá pois não haverá recolhimento de impostos do hidratado que possui ICMS, e o empresário deixará de recolher encargos sociais e trabalhistas pois não conseguirá. A imagem do produtor ficará ainda mais negativa na sociedade”, frisa.

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