Luiz Guilherme Zancaner

O racionamento de energia elétrica imposto pelo governo federal teve, em seu primeiro momento, a reprovação da maioria dos brasileiros. O assalariado não se imaginava ficar menos tempo debaixo do chuveiro, ligar a televisão e o computador o mínimo possível e o microondas apenas em situações que justificassem seu uso. O setor secundário da economia repudiou a medida porque significava a redução da produção de bens e o terciário, a diminuição da prestação de serviços.

Passados três meses, a sociedade – assalariados, setores produtivos e de serviços – deu prova de patriotismo, de responsabilidade e amadurecimento. Mais que isso, o racionamento fez nossa sociedade enxergar o lado positivo da crise e tirar proveito dela. Os meios de comunicação já mostraram e cientistas sociais já elaboraram teses da onda de economia que se desencadeou depois que tivemos de cumprir nossa meta em quilowatts ou megawatts.

O racionamento não provocou a anunciada quebra de indústrias e de empresas prestadoras de serviços. Pelo contrário, muitas encontraram alternativas para manter seus balanços em dia. A economia de energia levou à economia de dinheiro e o assalariado percebeu que é possível economizar no telefone, no consumo de água e no uso da Internet, para ficarmos em poucos exemplos e entrarmos naquele que é a razão deste artigo: o consumo de combustível automotor. Levados pela onda positiva de reação social, os brasileiros redescobriram o valor e a economia proporcionada pelo carro a álcool.

Ficamos felizes com a redescoberta. Não porque somos parte de setor produtivo que processa cana-de-açúcar para fazer álcool combustível, mas porque há mais de 20 anos acreditamos neste país; investimos para que fôssemos donos de uma tecnologia; para gerar empregos e evitar a evasão de divisas; para darmos nossa contribuição à preservação do meio ambiente. Mais que isso: para mostrarmos que, em tempos de crise mundial, como à que assistimos agora, temos fontes alternativas de energia. Fonte renovável, o mais importante.

Ficamos felizes porque a demanda por carros a álcool estimula a produção e faz a economia crescer. Um carro a álcool, durante sua vida útil, gera 95 empregos enquanto seu similar a gasolina gera três. A produção de carro a álcool proporciona uma grande economia ao país que gasta entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões/ano na importação de petróleo e derivados. Também podemos colaborar com o equilíbrio da balança comercial, já que nosso álcool combustível é o mais competitivo do mundo. Além disso, é bem menos poluente que os combustíveis tradicionais.

Por ser um combustível nosso, tecnologia 100% nacional e de fonte renovável, é que o consumidor encontra o álcool hidratado bem mais em conta que a gasolina. Está certo que a combustão do álcool é mais rápida, o que faz seu rendimento em km rodado ser menor. No entanto, o rendimento menor é compensado pelo preço nas bombas dos autopostos.

Está na hora de a sociedade, a indústria automobilística e o governo darem, como no caso do racionamento de energia elétrica, o exemplo de cidadania, de patriotismo e de amadurecimento. Precisamos defender nossa indústria e tecnologia, gerar empregos no país e equilibrar a balança comercial. O resultado, tenho certeza que positivo, será de todos.

Luiz Guilherme Zancaner – Presidente da Udop (Usinas e Destilarias do Oeste Paulista)

(fonte:Udop)

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