Lincoln Junqueira foca exportação de açúcar

Diversificar a produção segue no foco do grupo sucroalcooleiro Lincoln Junqueira, mas o bom momento do mercado internacional de açúcar vem ajudando a companhia a definir suas prioridades. Aproveitando a demanda externa, a holding que controla a Usina Alta Mogiana e o Grupo Alto Alegre, tem elevado a aposta no embarque de açúcar VHP.

Com essa estratégia, a companhia conseguiu sair de um prejuízo de R$ 151 milhões na safra 2014/15 e registrou lucro líquido de R$ 189 milhões em 2015/16. A reviravolta foi ditada sobretudo pela disparada do açúcar, que sozinho gerou receita pouco superior a R$ 1,8 bilhão, 27% mais do que no ciclo anterior. No total, a receita líquida aumentou 30% no exercício, para R$ 2,5 bilhões.

Metade da receita com açúcar foi obtida com exportação – e, dessa parcela, quase 60% veio do VHP, utilizados pelas refinarias estrangeiras. Há cinco anos, os embarques do produto representavam 30% da receita com exportação de açúcar.

Esse avanço do VHP começou a ser desenhado há dez anos, quando o grupo construiu a unidade Santo Inácio, voltada só para a fabricação do produto. E ganhou corpo em 2010, com a aquisição da unidade Florestópolis, também direcionada apenas ao VHP. A estratégia de crescer no Paraná foi traçada já com vistas ao acesso ao porto de Paranaguá.

Para a safra atual, o grupo Lincoln Junqueira espera que os embarques de açúcar VHP cresçam mais que as exportações totais de açúcar. Após embarcar 660 mil toneladas de açúcar na safra passada (62% de VHP), a expectativa é que as vendas externas subam para 750 mil toneladas em 2016/17, com 67% de participação do VHP. Com isso, o grupo poderá destinar na safra atual mais açúcar ao exterior que ao mercado interno, que continua com demanda fraca.

Outra frente preocupante é a cogeração. Na safra passada, a comercialização de energia bateu a meta e garantiu, sozinha, receita de R$ 191 milhões. Mas a diretoria do grupo acredita que será difícil repetir a dose na safra atual, já que o mercado interno de energia também não é motivo para euforia.

Segundo dados do grupo, o negócio de cogeração vinha gerando margem Ebitda de cerca de 85%, o melhor desempenho entre suas áreas de atuação. Neste ano, porém, a queda do consumo de energia e o retorno das chuvas, que permitiu a recuperação da produção das hidrelétricas, derrubaram o preço do megawatt-hora no mercado físico (spot) e a rentabilidade na área.

Não menos importante, o negócio de etanol respondeu por um quarto da receita da companhia na safra 2015/16 e contribuiu para gerar caixa principalmente na entressafra, já que o grupo segurou o máximo possível as vendas do etanol anidro (misturado à gasolina) e aproveitou a recuperação dos preços a partir do fim do ano.

A melhora dos resultados operacionais foi potencializada pela valorização do dólar em relação ao real, que alavancou a receita com as exportações de açúcar. Por outro lado, esse comportamento cambial pesou sobre a dívida líquida da companhia, que aumentou 6%, para R$ 1,5 bilhão. As despesas financeiras cresceram quase 50% na safra e somaram R$ 706,9 mil, pressionando o desempenho financeiro.

A companhia ressalta, entretanto, que houve um alívio na relação entre o endividamento líquido em relação ao lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda). Com um Ebitda de R$ 1,014 bilhão, a alavancagem do grupo diminuiu de 2,31 vezes, na temporada 2014/15, para 1,46 vez na safra passada, dentro da meta da diretoria (1,5). Com a recente queda do dólar, o grupo espera reduzir despesas financeiras, mantendo a alavancagem na meta.

Fonte: (Valor)

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