Lições que ficam da explosão da P-36

A explosão da plataforma P-36, da Petrobras, de 35.000 toneladas, a maior do mundo, que foi a pique no último dia 20, causou comoção nacional e deixa lições para uma séria reflexão. A tragédia mais grave, com certeza, foi a morte de onze petroleiros, nove deles sequer encontrados seus corpos, vidas humanas que não têm preço.

Os danos, porém, são incalculáveis não só para a estatal, mas para toda a economia nacional, pois as importações de petróleo deverão ser aumentadas, à custa da sociedade, e a falada redução dos combustíveis, tão bem vista, pode não acontecer.

E o meio ambiente? Este degradado ao extremo pelo derramamento de óleo em nossos mares, danificando nossa fauna e flora, o que, aliás, vem sendo repetida e frequentemente registrado e denunciado pela nossa imprensa.

O Brasil, no nosso entender, precisa repensar a questão relacionada com os combustíveis fósseis e renováveis. A prospecção de petróleo, que é finito, sempre foi insuficiente para o nosso abastecimento e, por isso, necessitamos importar, comprometendo a balança comercial.

Já o álcool de cana-de-açúcar, genuinamente brasileiro, como fonte de energia renovável, alternativa inesgotável, que surgiu numa época de escassez e de alta do preço do petróleo, insuportável para os países em desenvolvimento, como o Brasil.

Pioneiro no desenvolvimento da tecnologia agrícola e industrial de álcool combustível, o Brasil investiu e encontrou sua fórmula para diminuir a dependência externa de petróleo, com visível ganho para a nossa economia.

É claro que despendeu recursos para isso, como também é notório que investiu em tecnologia de ponta para a prospecção interna de petróleo, inclusive em águas profundas, pela Petrobras, mas com o sacrifício da nação.

Sem dúvida, dois programas de governo que deram certo e que não podem ser abandonados, pois as estatísticas provam os benefícios que propiciaram e continuam proporcionando ao nosso país.

Notamos que ambos os programas interagiram em momentos críticos. Se ao tempo da escassez e alta de petróleo o álcool foi importante para suprir o abastecimento interno, o petróleo também compensou a falta momentânea de álcool no passado, provocada pela escassez de chuvas nas lavouras e baixo preço da cana-de-açúcar, matéria-prima do álcool.

É fato que o Brasil tem vocação agrícola, porque tem clima, extensão e solo adequados para a agricultura, sendo propício para a lavoura de cana-de-açúcar, que não só produz álcool combustível, mas também o açúcar mais barato do mundo, e em escala suficiente para o abastecimento interno e para exportação. Sem contar os subprodutos: melaço para produção animal, vinhaça como insumo, etc.

Mas não é só isso. O bagaço de cana-de-açúcar gera ainda energia elétrica, a custo razoável, e as indústrias do setor, além da energia para consumo próprio, têm ofertado o excedente às companhias de energia para abastecimento das cidades, numa época de escassez de chuvas onde os níveis dos reservatórios de água estão aquém da capacidade normal.

Para isso, esses dois programas de governo (produção de petróleo e de álcool) precisam ser incentivados nos seus objetivos básicos. Não podem ser aviltados por competição desleal e devem fazer parte da mesma matriz energética, sobretudo porque o Brasil necessita da produção de energia para o seu desenvolvimento ainda maior.

Cada qual, sabemos nós, tem suas pecularidades , que devem ser respeitadas. Se há desvios, precisamos corrigí-los e não usá-los para destruir um ao outro, pois o bem da nação exige que caminhem lado a lado em prol de um futuro promissor para o Brasil, que causa inveja aos países desenvolvidos, chamados de primeiro mundo.

Afinal, não podemos caminhar na contra-mão da história. Enquanto países como os Estados Unidos, estão buscando a nossa tecnologia do etanol, o Brasil parece ignorar o passado recente, desestimulando a produção de álcool, que gera divisas e riquezas para a economia nacional, sem contar os 3 milhões de brasileiros que o setor emprega direta e indiretamente. Essa é a nossa reflexão!

Manoel Ortolan, é presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) e

da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo).

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Lições que ficam da explosão da P-36

A explosão da plataforma P-36, da Petrobras, de 35.000 toneladas, a maior do mundo, que foi a pique no último dia 20, causou comoção nacional e deixa lições para uma séria reflexão. A tragédia mais grave, com certeza, foi a morte de onze petroleiros, nove deles sequer encontrados seus corpos, vidas humanas que não têm preço.

Os danos, porém, são incalculáveis não só para a estatal, mas para toda a economia nacional, pois as importações de petróleo deverão ser aumentadas, à custa da sociedade, e a falada redução dos combustíveis, tão bem vista, pode não acontecer.

E o meio ambiente? Este degradado ao extremo pelo derramamento de óleo em nossos mares, danificando nossa fauna e flora, o que, aliás, vem sendo repetida e frequentemente registrado e denunciado pela nossa imprensa.

O Brasil, no nosso entender, precisa repensar a questão relacionada com os combustíveis fósseis e renováveis. A prospecção de petróleo, que é finito, sempre foi insuficiente para o nosso abastecimento e, por isso, necessitamos importar, comprometendo a balança comercial.

Já o álcool de cana-de-açúcar, genuinamente brasileiro, como fonte de energia renovável, alternativa inesgotável, que surgiu numa época de escassez e de alta do preço do petróleo, insuportável para os países em desenvolvimento, como o Brasil.

Pioneiro no desenvolvimento da tecnologia agrícola e industrial de álcool combustível, o Brasil investiu e encontrou sua fórmula para diminuir a dependência externa de petróleo, com visível ganho para a nossa economia.

É claro que despendeu recursos para isso, como também é notório que investiu em tecnologia de ponta para a prospecção interna de petróleo, inclusive em águas profundas, pela Petrobras, mas com o sacrifício da nação.

Sem dúvida, dois programas de governo que deram certo e que não podem ser abandonados, pois as estatísticas provam os benefícios que propiciaram e continuam proporcionando ao nosso país.

Notamos que ambos os programas interagiram em momentos críticos. Se ao tempo da escassez e alta de petróleo o álcool foi importante para suprir o abastecimento interno, o petróleo também compensou a falta momentânea de álcool no passado, provocada pela escassez de chuvas nas lavouras e baixo preço da cana-de-açúcar, matéria-prima do álcool.

É fato que o Brasil tem vocação agrícola, porque tem clima, extensão e solo adequados para a agricultura, sendo propício para a lavoura de cana-de-açúcar, que não só produz álcool combustível, mas também o açúcar mais barato do mundo, e em escala suficiente para o abastecimento interno e para exportação. Sem contar os subprodutos: melaço para produção animal, vinhaça como insumo, etc.

Mas não é só isso. O bagaço de cana-de-açúcar gera ainda energia elétrica, a custo razoável, e as indústrias do setor, além da energia para consumo próprio, têm ofertado o excedente às companhias de energia para abastecimento das cidades, numa época de escassez de chuvas onde os níveis dos reservatórios de água estão aquém da capacidade normal.

Para isso, esses dois programas de governo (produção de petróleo e de álcool) precisam ser incentivados nos seus objetivos básicos. Não podem ser aviltados por competição desleal e devem fazer parte da mesma matriz energética, sobretudo porque o Brasil necessita da produção de energia para o seu desenvolvimento ainda maior.

Cada qual, sabemos nós, tem suas pecularidades , que devem ser respeitadas. Se há desvios, precisamos corrigí-los e não usá-los para destruir um ao outro, pois o bem da nação exige que caminhem lado a lado em prol de um futuro promissor para o Brasil, que causa inveja aos países desenvolvidos, chamados de primeiro mundo.

Afinal, não podemos caminhar na contra-mão da história. Enquanto países como os Estados Unidos, estão buscando a nossa tecnologia do etanol, o Brasil parece ignorar o passado recente, desestimulando a produção de álcool, que gera divisas e riquezas para a economia nacional, sem contar os 3 milhões de brasileiros que o setor emprega direta e indiretamente. Essa é a nossa reflexão!

Manoel Ortolan, é presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) e

da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo).

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