Lições organizacionais de um final de ciclo

Estamos chegando a um final de ciclo, para alguns, e início para outros. Como sempre fazemos em fases como estas, é hora de refletir sobre alguns pontos que, felizmente ou infelizmente, continuarão a nos perseguir em termos de necessidade de mudança.

Passamos por mais uma dessas crises que ninguém quer lembrar e, se puder, nem analisar tirando as famosas lições de vida. Isso em todos os âmbitos. Ainda estamos nela, tentando sobreviver e nos manter de pé, pois a esperança é que venham tempos melhores à frente. Não de imediato, mas que obrigatoriamente terão de vir.

Para tal, é preciso estar focados naquilo que tem que ser melhorado: nossas estratégicas, nossa solidez financeira, nossas oportunidades de mercado, nossas competências essenciais, nossa cultura, nossos valores e nosso povo. As nossas tão ricas e necessárias pessoas, que estão merecendo ser mais bem tratadas, ouvidas, envolvidas e estimuladas.

Não há evolução sem mudança nos modelos mentais, na maturidade, no comportamento e na ética das pessoas. Mas não há receitas de sucesso, se não mexermos nas referências, nos modelos, nos valores e nas causas atrativas que apresentamos a elas. Pessoas automotivadas e que se movem por si, independente do local, do gestor, da crise, dos colegas e das circunstâncias negativas, são poucas. A maioria delas precisa de estímulo, de crer numa verdade, de enxergar movimentos positivos e de poder se orgulhar de fazer algo melhor por si, pelos seus e pelo mundo.

Tenho falado muito sobre esse assunto em minhas visões transformadas em textos, mas não vou me estender, aqui hoje, sobre a importância dessa mudança nas organizações, que é o meu cenário de estudo e reflexão. Apenas será citada para garantir que o fio seja trazido e eu possa embasar mais uma, que considero, ser minha contribuição nesse palco.

Quando passamos por tempestades duras, daquelas que arrancam muita coisa pela frente, sabemos que depois delas há um trabalho a ser realizado: o de avaliação do que foi e o que ficou; o de recolher os restos, para que eles sejam transformados em coisas novas e recicladas, ou simplesmente descartadas; e o de repensar as estratégias, as posturas rígidas e os paradigmas que não estão nos sustentando mais. Nem a nós e nem a nada.

A tempestade ainda não passou. Mas como já somos escolados em crises, dificuldades e intempéries mercadológicas, econômicas, políticas e sócias, já deveríamos estar mais competentes para a retomada. Isso em todas as instâncias da existência humana. Mas não temos sido preparados para essa condição e sempre nos abalamos muito a cada temporada. E vamos perdendo muita coisa, ao invés de renascer diferentes.

A retomada no âmbito organizacional, a meu ver, só se fará quando dirigentes, gestores, colaboradores e os valores da relação de trabalho e da contribuição com algo que traga a verdadeira recompensa encontre aderência ao mutirão do comprometimento para um todo mais forte, mais resiliente e mais inquebrantável Dificuldades, tombos, crises sempre existirão e podem servir para somente justificar derrocadas ou também para fortalecer as partes envolvidas, que ficarão cada vez mais competentes para pensar além e não somente entrar na onda, naquela que derruba, enfraquece e mina a essência e os bons propósitos e valores.

Que todas as organizações tenham seus começos e finais de mais um ciclo com estratégias e forças calcadas em pessoas, lideranças-exemplo, ambientes construtivos e meta coletiva de se fazer dar certo, independente do que venha. Essa é uma boa guerra, a de lutar pela evolução e acreditar nela, apesar de tudo.

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