Libra negocia terminal de açúcar de Cargill e Crystalsev

O grupo Libra, especializado em operações logísticas e navegações marítimas, está negociando a aquisição de um dos terminais da Teag (Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá), que pertence à Cargill e Crystalsev. O terminal que está na disputa embarca açúcar ensacado, localizado em Santos (SP), e é considerado estratégico para a companhia, que tem sua atuação voltada para exportação em contêineres.

No mercado, as notícias são de que a venda do terminal de açúcar ensacado poderia dar maior liquidez à Crystalsev, controlada pelo grupo Santelisa Vale. Procuradas, a Cargill e a Crystalsev confirmam que as negociações com o grupo Libra estão em andamento, mas não dão mais detalhes sobre a venda do terminal.

As duas companhias são controladoras de dois terminais – um de açúcar a granel, localizado no Guarujá (SP) e o outro de ensacado, instalado em Santos (SP). A negociação envolve apenas do terminal de Santos, o T33. O complexo do Terminal 33, com 33 mil metros quadrados de área, está apto a embarcar 600 mil toneladas por ano, mas com capacidade para dobrar esse volume.

A joint venture entre a Cargill e Crystalsev para o controle dos dois terminais foi firmada no fim de 2001. Àquela época, a Crystalsev desembolsou US$ 11 milhões para a aquisição de 50% dos dois terminais controlados pela Cargill. Para fazer a parceria, a trading nacional criou a empresa Sociedade Operadora Portuária de São Paulo (SOP), na qual detém 85% de participação – outros 10% pertencem à Hipercon e a consultoria Datagro possui os 5% restantes.

A expectativa, naquela época, era de que a parceria durasse pelo menos o período de concessão do terminal, até 2016, com possibilidade de renovação por mais 20 anos. Crystalsev e Cargill já são parceiras comerciais de longa data. Além dos negócios logísticos, a Crystalsev também fornece desde os anos 90 açúcar para a multinacional exportar.

Controlado pelo grupo chileno CSAV, a Libra é a holding que agrega todas as atividades da companhia, que inclui operação de terminais portuários (Grupo Libra), comercialização de imóveis (Companhia Imobiliária Mauá), distribuição de valores mobiliários (Boreal DTVM), produção de azeite de oliva no Chile (Olivares de Quepu) e produção industrial (Companhia Providência).

Na área de agronegócios, o grupo Libra está aumentando sua participação. A unidade de Libra Cubatão (SP) começou a operar em junho deste ano, com uma estrutura de armazenagem para para câmaras de frigoríficos. A atual estrutura está habilitada a armazenar carnes (aves, bovinos, suínos), além de leite, mel e pescados. Procurada, a Libra não retornou as ligações.

Em junho deste ano, o executivo, Marcelo Araújo, assumiu a presidência do grupo Libra, para liderar o movimento de reestruturação pelo qual a companhia está passando. O executivo atuou nos últimos quatro anos no conselho de administração e na presidência da divisão de siderurgia, calçados e têxteis do grupo Camargo Corrêa. Araújo também passou pela Shell, CSN e Natura – nesta última, foi um dos responsáveis pelo movimento de expansão da companhia.

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