Lamartine Navarro Filho é homenageado

Lamartine Navarro Neto durante seu discurso
Lamartine Navarro Neto durante seu discurso

Na última segunda-feira, 2 de junho, Lamartine Navarro Filho, considerado por muitos o ‘pai do Proálcool’, recebeu homenagem póstuma durante o Prêmio Top Etanol em São Paulo, capital. Ele, e outras cinco personalidades, foram reconhecidas por suas contribuições para a valorização do setor sucroenergético.

Lamartine Navarro Neto foi seu representante, emocionando a plateia com um discurso que você acompanha a seguir.

Meu pai, Lamartine Navarro Junior, faleceu em 2001 no auge de uma grave crise por que passava o setor sucroenergético. Não de vendiam veículos movidos a álcool, o petróleo valia dez dólares o barril e o governo tinha abandonado o programa do álcool a própria sorte.

Poucos dias antes de sua morte, ele recebeu uma homenagem na sede da Fiesp, uma medalha das mãos do então ministro Pratini de Moraes.

Em seu discurso de agradecimento, Lamartine Navarro Junior, mesmo enfraquecido pelo câncer que o consumia, cobrou de forma enfática do governo um posicionamento sobre o futuro do programa do álcool.

Treze anos se passaram e infelizmente a história se repete.

O setor de etanol atravessa talvez a maior crise de sua existência. Crise está oriunda de uma política míope e populista por parte do governo no tocante a determinação dos preços dos combustíveis líquidos no Brasil. O etanol, talvez o programa de maior sucesso da história deste país, se encontra novamente abandonado pelo governo.

Em memória a Lamartine Navarro Junior, me sinto no dever de reler suas últimas palavras, proferidas em seu último discurso.
“Recebo esta homenagem com humildade e com a tranquilidade de um brasileiro que fez a sua parte; que foi sincero e honesto nas posições que defendeu em toda a sua vida.

Mas repito, divido com todos os presentes a minha profunda tristeza por ver que não consegui mudar, pelo menos até agora, o rumo dos acontecimentos, e ver reconhecido e aplicado tudo aquilo que eu defendi durante toda uma vida.

No entanto, se sou merecedor desta homenagem, acho que tenho o direito de pedir que as autoridades constituídas deste país assumam comigo um compromisso. O compromisso de lutarem para que o que foi construído até agora não se perca e ao contrário, se desenvolva. Depois de tantos anos de luta, acho que não mereço uma homenagem, mas sim uma resposta.

A resposta que me mostre se tudo aquilo que defendi durante toda uma vida foi inglório ou serviu para alguma coisa”.

 

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