Juntem-se ao Brasil no plantio de petróleo

O século 21 será marcado por um debate crucial: como podemos tornar o desenvolvimento econômico e social compatível com a preservação de nosso meio ambiente? O desafio é enfrentado tanto pelos países desenvolvidos quanto pelos países em desenvolvimento, mas as responsabilidades precisam ser divididas com mais igualdade. A distância entre os países ricos e pobres dobrou nos últimos 40 anos. Embora o mundo desenvolvido tenha se beneficiado com a prosperidade gerada pelo progresso econômico, os países pobres sofrem as conseqüências da degradação ambiental resultante do crescimento descontrolado. Os países ricos têm padrões insustentáveis de produção e consumo. São responsáveis por 41% das emissões de dióxido de carbono e seu consumo de matériasprimas é o quádruplo do consumo de todos os outros países combinados. Nessas condições, não há possibilidade de um futuro sustentável.

A escala dos recursos naturais do Brasil é extraordinária: a região da Amazônia contém 20% da água doce do planeta e quase dois terços do País ainda são cobertos por vegetação natural. Contra este pano de fundo, temos implementado políticas que tratam diretamente de nossas preocupações ambientais mais prementes.

Quando iniciei meu mandato, o índice de desflorestamento do Brasil vinha aumentando numa média de 27% por ano. A partir do segundo semestre de 2004, no entanto, pusemos em prática medidas para monitorar o corte de árvores e tratar da questão da distribuição de terras. O resultado foi a queda dramática do índice de desflorestamento.

Num país que sofre com profundas desigualdades sociais, contudo, o sucesso da política ambiental depende em última instância, mais que de qualquer outra coisa, de medidas econômicas e sociais que sejam voltadas à preservação de nosso ambiente.

Ao longo os próximos dez anos, incluiremos mais 13 milhões de hectares da Amazônia num regime de administração que garantirá o ciclo de regeneração da floresta. E nosso compromisso com uma abordagem responsável vai muito além de nosso território. É imperativo pormos em prática os compromissos do protocolo de Kyoto para combater o impacto potencialmente devastador do aquecimento global.

Na busca por modelos econômicos novos e sustentáveis, a comunidade internacional começa a reconhecer a necessidade de uma reformulação radical do pensamento sobre a geração de energia, e o Brasil responde usando fontes de energia limpas, renováveis e alternativas em grau cada vez maior. Mais de 40% da energia do Brasil vem de fontes verdes, contra cerca de 7% nos países ricos.

O etanol que o Brasil produz a partir da cana-de-açúcar está atraindo interesse mundial, pois é um dos mais baratos e confiáveis combustíveis derivados de fontes renováveis. Três quartos dos carros hoje produzidos no Brasil têm motores flexíveis, capazes de funcionar com etanol, gasolina ou qualquer mistura dos dois.

O governo tem implementado iniciativas ambientais que também trazem benefícios sociais – por exemplo, na forma do projeto do biodiesel.

Produzido a partir de plantas oleaginosas, o biodiesel é significativamente menos poluente que o diesel baseado no petróleo. Como ele pode ser facilmente produzido por pequenos agricultores em algumas das regiões mais pobres do País, o projeto combina proteção ambiental com desenvolvimento rural e reduz a desigualdade social. Há um grande potencial para o biodiesel na África.

O Brasil se prepara ativamente para um novo paradigma do desenvolvimento que enfrentará os desafios ambientais e sociais das próximas décadas. O etanol e o biodiesel são os componentes fundamentais de nossa abordagem, e estamos decididos a plantar o petróleo do futuro. Convido-os a juntar-se a nós em nossos esforços.

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