Investir em energia renovável

O futuro do planeta e alternativas para substituição do petróleo também são pesquisados em Londrina. O Programa Paranaense de Bioenergia foi implantado há quatro anos pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) com o objetivo de manter o agricultor no campo a partir da redução de custos e tornando a agricultura mais sustentável e balanceada ao meio ambiente. São pesquisadas matérias-primas para utilização como biodiesel, desde o plantio de oleaginosas, colheita, extração do óleo e utilização das tortas (resíduos da extração).

Depois desta etapa, o Tecpar (com sede em Curitiba) desenvolve estudos para utilização do óleo, adição ao etanol ou metanol, desempenho de motores e emissão de poluentes. As opções, segundo a coordenadora do grupo de pesquisa Dalziza Oliveira, são por culturas que possam ser inseridas ao sistema de produção como uma opção para a rotação de culturas. Desta forma, os produtores rurais não ficam muito dependentes do mercado de commodities. Estão em estudo: mamona, girassol, amendoim, cártamo, crampe, nabo forrageiro, canola, tunge e pinhão (estes dois últimos como culturas perenes).

‘‘O foco é tanto a agricultura familiar como o agronegócio. Além disso, a utilização das tortas nas propriedades ajuda na redução de custos’’, diz Dalziza. No entanto, o programa do biodiesel esbarra em problemas ‘‘operacionais’’. Segundo ela, é preciso organizar a cadeia produtiva, desde a definição do preço mínimo a formação de associações de produtores (que irá garantir volume de oferta). ‘‘Por enquanto estes programas não conseguem atrair a agricultura familiar porque não há vantagem financeira. Só o modelo integrado pode garantir algum lucro’’, avalia.

Além disso, ela reforça que o biodiesel pode ganhar mercados hoje ocupados pelos derivados de petróleo (tintas, resinas, verniz, próteses de dentes e ossos, entre outros). ‘‘Temos que lembrar que o mundo está ficando diferente e a cada ano o petróleo será mais difícil e mais caro porque é um recurso não renovável. Então, terá que haver investimentos na energia renovável’’, diz a pesquisadora.

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