Interessada em acordo de livre comércio, Turquia quer atrair empresas brasileiras

O governo turco está interessado em um acordo de livre comércio com o Brasil e quer aumentar o fluxo de comércio entre os dois países, dos atuais US$ 1,7 bilhão, para US$ 5 bilhões, em três anos, anunciou o ministro de Comércio Exterior da Turquia, Zafer Caglayan, em entrevista ao Valor. Ele lidera, hoje, em São Paulo, uma missão empresarial, com cerca de 200 executivos e parlamentares. Quer atrair investidores para projetos de energia e produção de manufaturados na Turquia e acena com incentivos fiscais.

“Queremos chegar a US$ 5 bilhões, mas com maior diversificação e equilíbrio dos dois lados”, comentou o ministro, que, como um persuasivo comerciante, insistiu para que seu telefone (90-312-2048385) e seu e-mail (caglayanz@dtm.gov.tr) fossem divulgados, para uso dos empresários, “a qualquer hora”. Nas estatísticas brasileiras, a corrente de comércio entre os dois países aparece menor que nas contas turcas: pouco mais! de US$ 1,15 bilhão em 2008, com superávit para o Brasil, que vendeu à Turquia US$ 816 milhões, principalmente minério de ferro, autopeças e máquinas e caldeiras.

Caglayan quer convencer os empresários brasileiros de que a Turquia poderá ser uma plataforma de exportação para os países da Ásia Central, Oriente Médio e Europa, por sua posição entre Oriente e Ocidente. Embora os empresários brasileiros não mostrem muito entusiasmo pela abertura bilateral de comércio, devido à semelhança na estrutura industrial dos dois países, o ministro afirma que o acordo comercial poderia incrementar as relações entre brasileiros e turcos e facilitar associações de empresas.

Ele anuncia que o governo turco facilita a concessão de terrenos para projetos industriais e oferece isenção de imposto de renda e de custos de seguridade nos primeiros sete anos de funcionamento dos investimentos, em regiões definidas como prioritárias, em 54 províncias. Os programas de incentivo exigem pressa, po! rém: o prazo de adesão é até o fim de 2010, alerta ele. Como no Brasil, o mercado interno na Turquia é um dos atrativos e responde por 80% da demanda industrial, garante Caglayan, que cita, também, a liberdade de movimento de capitais e a saúde dos bancos turcos durante a atual crise financeira. A inflação na Turquia, porém, é alta, de quase 9% anuais, e o país rivaliza com o Brasil em matéria de juros.

Na avaliação de empresários brasileiros, a similaridade dos parques industriais faz com que a Turquia seja atraente para investimentos de nicho, como os da Metalfrio, que, no ano passado, comprou uma concorrente local fabricante de refrigeradores, com um investimento pouco superior a US$ 6 milhões. O Ministério do Desenvolvimento, com base nas exportações brasileiras e na pauta de importações turca, vê “grandes possibilidades” de ampliação das vendas ao mercado turco de produtos automotivos (inclusive automóveis), lâmpadas, tubos e válvulas eletrônicas, autopeças, algodão, po! límeros de propileno e semimanufaturados ou laminados de ferro ou aço, entre vários outros tipos de produtos.

A Petrobras está no país, onde explora um bloco de petróleo no litoral. Caglayan, que encontrou-se ontem com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que o governo turco quer atrair investimentos na exploração de energia tradicional, em hidrelétricas, usinas nucleares e termelétricas, e também energia eólica, e biocombustível.

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