Indústria para e reduz previsões de PIB

Com queda em 16 dos 24 setores, a produção da indústria surpreendeu negativamente e ficou estagnada de setembro para outubro, segundo o IBGE.

A expectativa de analistas era alta, em média, de 0,3%. Com o resultado, aumentam as chances de o PIB do quarto trimestre também não mostrar crescimento, dizem economistas ouvidos pela Folha.

O setor não conseguiu manter a retomada mostrada no terceiro trimestre e voltou a sofrer com estoques elevados, baixa confiança de empresários e consumidores, juros maiores, crédito restito e deterioração cada vez mais intensa das exportações.

A previsão é que, no ano, haja perda de cerca de 3%.

Segundo o IBGE, a indústria teve um tombo de 3,6% em relação a outubro de 2013 –oitava queda seguida. Com isso, o setor acumula uma retração de 3% neste ano. Em 12 meses, a queda foi de 2,6%.

Para André Macedo, gerente do IBGE, a indústria “melhorou” depois da Copa, mas ainda opera num ritmo fraco e “insuficiente para repor as perdas” anteriores.

Sem otimismo

De acordo com o IBGE, a indústria trabalha num ritmo 6,4% inferior ao de julho de 2013, pico histórico de produção. “Esperávamos uma retomada, mas ela não se confirmou. Com o cenário atual, não vejo espaço para uma melhora neste ano”, afirma Rafael Bascciotti, da consultoria Tendências.

A consultoria prevê um PIB estável no quarto trimestre, projeção que é reforçada pelo fraco resultado de outubro da indústria.

O Bradesco também estima uma taxa estável diante do resultado frustrante da indústria –o banco previa alta da produção do setor de 0,7% de setembro para outubro.

Para Sílvio Sales, da FGV, os níveis elevados de estoque e a confiança de empresários em patamar baixo impedem uma recuperação neste ano. “Talvez melhore em 2015 com as diretrizes da nova equipe econômica. Isso pode melhorar as expectativas.”

Sérgio Vale, da MB, diz que o resultado da indústria “não não muda a trajetória” do PIB, mas indica que o “investimento continua na descendente”. O economista prevê alta de 0,1% do PIB neste ano.

Embora a indústria não tenha recuado em outubro, a maioria dos setores (16 dos 24 pesquisados) registrou retração em relação a setembro (veja quadro acima).

Com esse perfil, apenas 37% dos produtos investigados apresentaram aumento de produção em outubro, abaixo dos 43% em setembro.

Entre as quedas, os destaques ficaram com as indústrias farmacêutica e de veículos, que “devolveram” as altas de setembro.

Já os melhores desempenhos foram registrados por alimentos e derivados de petróleo e biocombustíveis.

Fonte: Folha de S. Paulo

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