Indústria está de luto por Joel de Albuquerque Queiroz

A indústria pernambucana perdeu ontem o empresário Joel de Albuquerque Queiroz, 95 anos. Vítima de uma infecção pulmonar, Queiroz faleceu às 4h30, no Hospital Português, onde passou 13 dias internado, em função de problemas de saúde decorrentes da idade.

Dono do grupo que inclui a Usina Salgado, Joel de Albuquerque Queiroz deixou sete filhos, 28 netos e 18 bisnetos. Foto: Arquivo Pessoal O dono do grupo que inclui a Usina Salgado deixou sete filhos, 28 netos e 18 bisnetos, além de um extenso legado no meio empresarial pernambucano, especialmente no setor sucroalcooleiro.

“Meu pai levava uma vida muito saudável. Nunca fumou nem bebeu”

Jorge Queiroz – filho

Queiroz nasceu no Engenho Terra Preta, localizado no município de Nazaré da Mata, em 24 de junho de 1914, de! ntro de uma família já com tradição no plantio de cana de açúcar em Pernambuco, dona da Usina Matari. Entre 1930 e 1934, ele morou nos Estados Unidos, no estado de Indiana, onde se formou como engenheiro mecânico e industrial. De volta ao Brasil, mudou-se um ano depois para o Rio de Janeiro, onde passaria os quatro anos seguintes trabalhando na construção de caldeiras para a Marinha de Guerra brasileira.

Já de volta a Pernambuco, em 1939, ele passou a trabalhar ao lado do pai, José Queiroz, na administração da Usina Bulhões, em Jaboatão dos Guararapes, comprada pela família em 1921. Em 1959, lançou-se em um novo empreendimento, desta vez sozinho, e em um diferente setor econômico: adquiriu a empresa têxtil Yolanda, localizada no bairro de Afogados, no Recife, especializada na fabricação de embalagens para produtos agrícolas.

Em 1975, Joel Queiroz adquiriu então a tradicional Usina Salgado, localizada em Nossa Senhora do Ó, distrito de Ipojuca, fundada em 1892. A empres! a hoje possui um dos maiores parques industriais locais, com compradores de açúcar em todo o mundo, principalmente Rússia, Estados Unidos, Europa e África. O empreendimento emprega atualmente cerca de 3.000 funcionários diretamente durante o período da safra. Entusiasmado com o trabalho, o patriarca aposentou-se apenas 10 anos atrás, já com 85 anos de idade.

Desportista – Na vida pessoal, Joel Queiroz sempre foi um homem ligado à família e um verdadeiro entusiasta dos esportes. Na juventude, jogou futebol e foi também remador do Náutico. Foi, por sinal, um dedicado e presente torcedor do clube da Avenida Rosa e Silva, do qual foi diretor e conselheiro até agora. Também jogou tênis, no Country Club do Recife, e só parou aos 87 anos. “Meu pai levava uma vida muito saudável. Nunca fumou nem bebeu. E sempre procurou praticar algum esporte”, revelou o empresário Jorge Queiroz, um dos filhos de Joel.

Queiroz casou-se em 1941 com Margarida Perez Garcia. Passou 54 anos ao seu! lado, até ficar viúvo, em 1995. Gostava de estar ao lado de filhos, netos e toda a família. “Era uma pessoa alegre, comunicativa. Gostava de carnaval, de viajar”, destaca a promotora de eventos Marta Dubeux, sobrinha de Joel Queiroz. “Ele nasceu em uma véspera de São João e, por isso, sempre fazia grandes festas para comemorar seu aniversário. Reunia toda a família para comemorar”, relembra.

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