Indonésia examina subsídios para incentivar produção de etanol

O governo da Indonésia deve conceder subsídios para estimular a produção doméstica de etanol e tornar o biocombustível competitivo em relação à gasolina, atualmente vendida ao consumidor por menos de R$1 por litro. A hipótese foi levantada pelo diretor do Ministério da Indústria da Indonésia, Faiz Achmad, durante visita à sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) em São Paulo na quinta-feira (18/11), acompanhado por um grupo de assessores e técnicos do ministério.

“Iniciar a comercialização do etanol não é fácil porque o preço da gasolina na Indonésia é muito baixo. Temos que estabelecer subsídios para incentivar a indústria a produzir o produto. É por este motivo que o volume do biocombustível misturado à gasolina é muito baixo e ocorre apenas em uma pequena área, na região central da Indonésia,” afirmou Achmad.

A legislação daquele país determina que haja mistura de 3% a 5% de etanol na gasolina, porém Achmad ressalta que isto ainda não ocorre: “A questão da mistura tem feito pouco progresso, já que não é obrigatória,” explica.

Fontes energéticas

A Indonésia é o principal produtor mundial de óleo de palmeira, utilizado para a produção de biodiesel. Além disso produz também gás natural, combustível usado nos transportes. Este cenário torna os investimentos em etanol menos interessantes. “Temos pouca matéria-prima para o etanol, apenas subprodutos da indústria de açúcar como o melaço. Estamos começando a aprender a misturar etanol à gasolina,” explica Achdiat Atmawinata, um dos assessores que participou da visita.

“Temos outras fontes como o gás natural, petróleo e óleo de palmeira, que usamos para produzir biodiesel. Mas o melhor seria usarmos combustíveis renováveis, como o etanol ou óleo de palmeira. Também podemos usar o pinhão manso para produzir biodiesel. Para o etanol não temos as fontes ainda, por isso viemos compreender a trajetória brasileira neste setor, que foi muito bem-sucedida,” completou Achmad.

Crescimento gradual

Para os executivos, a melhor solução para produzir etanol e talvez até bioeletricidade seria aumentar a produção de açúcar. “Visitamos uma usina aqui em São Paulo que não só produz açúcar, mas também bioeletricidade e etanol. Perdemos nos dois últimos, só produzimos açúcar,” argumenta Achmad.

No entanto, de acordo com Atmawinata, caso a Indonésia decida pela produção de etanol, não será diretamente da cana. “Se começarmos, será de melaço porque nossa demanda gira em torno de cinco milhões de toneladas de açúcar, mas só produzimos metade. É por isso que temos que aumentar a produção de açúcar primeiro e aí talvez o segundo passo a ser tomado seja a produção de etanol,” afirma o executivo.

“Estamos estudando o cenário brasileiro. Queremos produzir açúcar e depois, se possível, produzir etanol e bioeletricidade. Dependerá dos investidores,” concluiu.

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