Índia vai refinar açúcar brasileiro

A Shree Renuka Sugars Ltd., maior refinaria da Índia, vai comprar até 80.000 toneladas de açúcar não-refinado, ou demerara, aproveitando o colapso dos preços mundiais, que chegaram ao nível mais baixo em quatro meses. A empresa vai comprar açúcar do Brasil, refiná-lo em sua usina que beneficia 2.000 toneladas por dia, em Haldia, cidade portuária do leste da Índia, antes de vendê-lo para países asiáticos, disse hoje Narendra Murkumbi, diretor-gerente da refinaria.

O preço do açúcar demerara caiu na sexta-feira para 10,91 centavos de dólar a libra-peso em Nova York, o patamar mais baixo desde 10 de junho, devido à especulação de que o aperto do crédito contraia as compras.

O Baltic Dry Index (BDI), indicador dos custos do transporte marítimo de commodities, tocou ontem o patamar mais baixo em seis anos em Londres. “Os preços atuais são extremamente atraentes e os custos do frete caíram quase 80% nos últimos seis meses”, disse Murkumbi. “Vai haver uma grande demanda por açúcar refinado na Ásia e queremos capitalizar nisso.” As compras pela Índia, o maior consumidor mundial de açúcar, podem contribuir para sustentar os preços mundiais, que caíram 16% neste mês.

Isenção Fiscal

A Shree Renuka não tem encontrado dificuldade em garantir recursos para suas compras, disse Murkumbi. A empresa vai recebeu na sexta-feira, no porto de Haldia, uma carga de 30.000 toneladas de açúcar demerara contratada em agosto. É o primeiro embarque do produto para a Índia em 2 anos e meio. A empresa importa açúcar demerara com isenção de impostos para ser refinado para exportação, disse ele. As importações para as vendas no país pagam impostos de 60%.

A moagem da cana-de-açúcar na Índia foi atrasada em cerca de três semanas em Maharashtra devido às chuvas de monção, que foram prolongadas, disse Murkumbi. A empresa começou a moagem em apenas três de suas oito usinas, acrescentou ele.

X