Honda já produziu motocicleta a álcool

Em 1981, com o regime militar dando seus últimos passos, o Proálcool – programa de incentivo ao uso do álcool combustível, criado em 1975 – levou os fabricantes de veículos nacionais a extrapolarem o uso do derivado da cana. Foram lançados até caminhões movidos a álcool, com apelos mercadológicos baseados no desempenho – realmente melhor que o da gasolina – a despeito do consumo, absurdamente elevado.

Neste mesmo ano a Honda lançou sua CG 125 – modelo mais vendido no país até hoje – movida a álcool. A pequena moto contava com carburador com sistema anti-corrosivo e com sistema auxiliar de partida a frio, já que, como se sabe, acionar motores a álcool no frio sempre foi uma tarefa ingrata.

Por motivos até hoje não entendidos, a moto não emplacou no mercado nacional, diferente do que ocorreu com seus primos de quatro rodas. A fabricação da Honda CG 125 a álcool foi interrompida dois anos depois de seu lançamento.

A chegada dos carros Flex Fuel, que funcionam com gasolina e/ou álcool, também levou a Honda a testar o sistema em motos. A montadora realiza testes finais com uma CG Flex Fuel e que pode chegar ao mercado ainda este ano.

Mudança requer novo documento

Converter uma moto da gasolina para o álcool exige, como de praxe, alteração na documentação do veículo. O Detran PR cobra cerca de R$ 45,00 para a modificação na papelada, além de uma taxa de R$ 7,00 para a emissão de uma autorização para a troca de combustível.

Os valores envolvidos são baixos, mas o que incomoda os motoqueiros são os trâmites burocráticos. É necessário levar ao Detran desde a nota fiscal do serviço de conversão até um termo de responsabilidade civil e criminal pela ação. Isso faz com que muitos mototaxistas de Londrina desistam da legalização da troca de combustível.

O perigo, neste caso, é que a economia gerada pela utilização do álcool pode ter que ser revertida para o pagamento de multas e para a reconversão da moto. No caso de um mototaxista ser parado em uma blitz, e for constatado a utilização de um combustível diferente do que consta no documento da moto, a multa pode chegar a R$ 193,00 e o veículo será apreendido. Depois disso, a moto só poderá ser retirada do Detran ser for reconvertida para o combustível original.

Em 1981, com o regime militar dando seus últimos passos, o Proálcool – programa de incentivo ao uso do álcool combustível, criado em 1975 – levou os fabricantes de veículos nacionais a extrapolarem o uso do derivado da cana. Neste mesmo ano a Honda lançou sua CG 125 – modelo mais vendido no país até hoje – movida a álcool. A pequena moto contava com carburador com sistema anti-corrosivo e com sistema auxiliar de partida a frio. Por motivos até hoje não entendidos, a moto não emplacou no mercado nacional, e foi descontinuada dois anos depois de seu lançamento.

A chegada dos carros Flex Fuel, que funcionam com gasolina e/ou álcool, também levou a Honda a testar o sistema em motos. Uma CG Flex Fuel está em fase final de testes e pode chegar ao mercado ainda este ano.

Fabricante não recomenda conversão

A conversão de motos para funcionamento a álcool não é recomendada pela Honda, como informa o mecânico Amauri Medina, que trabalha em uma revendedora autorizada pela fábrica, na profissão há vinte anos. As motos foram inicialmente projetadas para trabalhar com gasolina. Uma simples troca de giclê não pode, a rigor, ser considerada uma conversão, explica.

Segundo Amauri, a oficina da Honda, onde ele trabalha, já recebeu, inclusive, a visita de vários mototaxistas que dizem que a conversão não é viável, nem do ponto de vista econômico. A economia conseguida com a troca de combustível acaba não compensando as despesas posteriores com a manutenção do carburador. Inclusive, temos uma recomendação da própria fábrica para que orientemos os motoqueiros a não realizar nenhum tipo de conversão.

Outro fator que Amauri acredita que pode comprometer a mecânica das motos é a diferença entre as taxas de compressão. O limite da relação de compressão para a gasolina é de 9,5:1, e para o álcool é de 12,5:1. Ou seja, o combustível da cana é mais resistente à explosão. Acredito que, a longo prazo, isso pode vir a comprometer a estrutura do motor. Tanto é que o álcool, tido como um combustível mais esportivo, faz com que a moto tenha um desempenho pior, explica o mecânico.

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