Guerra aberta ao preço do álcool

Para pôr um freio na escalada de preços do álcool hidratado, que desde junho vem subindo nas bombas do país, o governo federal define nos próximos dias a redução do percentual de álcool anidro na gasolina. Hoje, a mistura é de 25%, mas pode cair para 20%. Em Minas Gerais, o uso do etanol já não compensa e em Belo Horizonte a gasolina também já se tornou mais vantajosa. Levantamento do site Mercado Mineiro mostra que o preço médio da gasolina na capital é de R$ 2,37. Para compensar, o álcool deveria custar no máximo R$ 1,66, mas o valor médio do litro já está em R$ 1,74. A distância entre o preço mais alto e o mais baixo é a menor desde junho, reduzindo a margem para o consumidor pechinhar. No último mês, a variação entre os postos de combustíveis da cidade caiu de 27% para 19%.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, disse que a agência vai iniciar uma campanha nos estados onde o álcool está com preço acima da gasolina para que os consumidores prefiram o derivado do petróleo, enquanto o combustível da cana-de-açúcar permanecer em alta. O Brasil adiciona mensalmente à gasolina 500 mil metros cúbicos de álcool anidro. Caso a redução do percentual comece em dezembro, a economia até o início da próxima safra que começa em abril seria de 400 mil metros cúbicos. “O maior efeito dessa medida é garantir o abastecimento, além de proporcionar uma menor pressão sobre os preços, contendo a tendência de alta. A quantidade não é suficiente, no entanto, para provocar queda nos preços”, analisa Julio Maria Borges, diretor da Job Consultoria e Planejamento. Segundo o especialista, a medida é positiva, já que neste momento o combustível encontra pouco espaço para continuar subindo. “O álcool só continua com vantagem em São Pa! ulo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, apontou.

Em Belo Horizonte, no último mês o aumento do combustível foi de 3,38%, mais de três vezes o reajuste da gasolina, que subiu em torno de 1%. O afunilamento entre o maior e o menor preço preocupa. “A cada semana a situação fica mais difícil para o consumidor. A variação de preços entre os postos de combustíveis que é de pelo menos 25% caiu para 19%”, diz Feliciano Abreu, diretor-executivo do site MercadoMineiro.

Segundo Haroldo Lima, estudos já realizados anteriormente no país mostram que a formação de estoques reguladores de álcool, por exemplo, teria um custo muito elevado. Lima disse que os produtores de álcool apontam o prejuízo sofrido com o excesso de chuvas para justificar a elevação de preços, que está ligada também ao aumento das exportações de açúcar devido à quebra de safra na Índia.

Para o ano que vem, a expectativa é de que o preço do combustível comece a perder força em abril. “Esse movimento é ! esperado em um primeiro momento coincidindo com o período de safra. No entanto, os preços do etanol vão depender do mercado internacional de açúcar”, comenta Borges. Na Região Metropolitana, Contagem concentra o menor preço do álcool hidratado com preço médio de R$ 1,70. O maior preço é encontrado na Região Sul da capital, onde o valor médio é de R$ 1,81.

Ao reduzir o percentual de álcool anidro adicionado à gasolina, o governo pretende aumentar a oferta do produto hidratado, já que a transformação de anidro em hidratado é relativamente simples. (Com agências)

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