Grupo Cosan encerra com prejuízo de R$ 380,7 milhões no segundo trimestre

O grupo Cosan, um dos maiores produtores de açúcar e álcool do mundo, encerrou o segundo trimestre de 2009 cm prejuízo líquido de R$ 380,7 milhões, ante lucro líquido de R$ 15,2 milhões no segundo trimestre de 2008. A receita líquida no mesmo período ficou em R$ 715,1 milhões, alta sobre o mesmo período do ano passado, de R$ 627,5 milhões.

No acumulado do primeiro semestre, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 438,8 milhões, ante lucro líquido de R$ 28,9 milhões. A receita no mesmo período ficou em R$ 1,354 bilhão, aumento sobre os R$ 1,219 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.

O grupo destacou em seu balanço de resultado, divulgado na noite de sexta-feira, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que encerrou o segundo trimestre da safra 2008/09 com EBITDA de R$ 175,3 milhões, 131% superior em relação ao valor obtido no segundo trimestre de 2007/08. O grupo registrou melhora da margem de EBITDA, que avançou para 24,5% neste segundo trimestre, mais que o dobro registrado no mesmo período da safra passada, de 10,3%.

De acordo com o balanço da Cosan, as receitas geradas pela venda de etanol cresceram 20,1%, apesar de os volumes vendidos do produto terem sido 7,8% menores no segundo trimestre. As vendas de açúcar avançaram 10,8%, ainda que volume vendido também tenha sido 10,2% inferior na mesma base de comparação.

O aumento da receita está atrelado à elevação dos preços médios praticados neste trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O custo do produtos vendidos registrou pequena queda de 0,7% em relação ao segundo trimestre de 2008. Já as despesas gerais e administrativas, influenciadas pela contratação de 100% dos profissionais de corte manual diretamente pela Cosan, em regime CLT, e pelas melhorias nos sistemas de TI e telecomunicações, aumentaram 46,1% em relação ao segundo trimestre da safra passada.

O bom resultado operacional foi contabilmente compensado pela despesa financeira não-caixa de variação cambial sobre dívidas denominadas em dólares, que, montando a R$ 501,4 milhões, tornaram o bottom-line negativo em R$ 380,7 milhões. Do total deste resultado de variação cambial negativa, R$ 219,5 milhões são associados aos US$ 400 milhões de bônus com vencimento apenas em 2017, e R$ 246,9 milhões são relativos aos US$ 450 milhões de bônus perpétuos.

Quando comparado o fluxo futuro de exportações (da ordem de US$ 0,8 bilhão ao ano) com a dívida bruta em dólares levando em consideração a característica de longo prazo da mesma, o fluxo é muito maior que a dívida e gerará ganhos operacionais imensamente superiores a este resultado não-caixa registrado agora.

Sobre os investimentos, a companhia contabilizou R$ 304,7 milhões de capex operacional neste segundo trimestre, 122,8% a mais que no mesmo trimestre de 2008. Além disso, a Cosan investiu R$ 19,9 milhões não-operacionais, principalmente R$ 15,4 milhões em ativo diferido por gastos pré-operacionais nas unidades de bioenergia, em Jataí e em preparação para aquisição da Esso.

Em co-geração, foram investidos R$ 128,9 milhões, principalmente nas plantas da Gasa e Bonfim. A planta da Gasa, inclusive, já realizou vendas de energia gerando uma receita de R$6,1 milhões neste trimestre. A Cosan segue finalizando os projetos da Costa Pinto, Rafard, Bonfim e Gasa, e já trabalha no planejamento para início dos investimentos em Diamante, Univalem e Barra, todas já com contratos de venda de energia. A entrada em operação dos projetos de co-geração fornecerá uma fonte de receita mais estável para a Cosan, contribuindo para reduzir a volatilidade do fluxo de caixa da companhia.

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