Grupo Bertin passa a controlar a Usina Vitória

O grupo paulista Bertin, holding de capital nacional com atuação nas áreas de agroindústria, infraestrutura e energia, assumiu ontem o controle da Usina Vitória, que tem o prefeito de Palmares, José Bartolomeu – conhecido como Beto da Usina, como o principal proprietário. A negociação prevê o arrendamento da Usina Vitória, instalada em Palmares, ao grupo Bertin por dez anos, com proposta de compra. A partir da safra 2009/2010, que deverá moer 500 mil toneladas de canas e produzir um milhão de sacos de açúcar, os proprietários irão receber 1% sobre o faturamento da usina.

Com uma média de 500 empregados por safra, a Vitória produz açúcar exclusivamente para o mercado interno, mas até 2012, segundo o gerente financeiro e um dos sócios da Usina Vitória, Francisco Melo, terá uma destilaria para a produção de etanol. “O grupo vai investir na usina e continuar gerando emprego na região – ao contrário de outro grupo que queria levar a usina para o Centro-Oeste. Fechamos com quem decidiu manter a usina em Palmares”, diz.

Na última safra (2008/2009) a Usina Vitória produziu 300 mil toneladas de canas e faturou R$ 30 milhões, números menores do que a safra anterior quando foram produzidas 500 mil toneladas de cana, respondendo por cerca de 2% da moagem de Pernambuco. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, destaca a importância social da Usina para a região onde atua porque absorve a produção dos pequenos e médios fornecedores de cana das cidades de Palmares, Joaquim Nabuco, Catende e Maraial. “A usina não tem uma grande moagem, mas desempenha um papel social estratégico, gerando empregos diretos e indiretos”, afirma Cunha, considerando muito positiva a chegada do Bertin ao Estado. “O grupo tem experiência em biocombustíveis, alimentos e geração de ener! gia e é conhecido por verticalizar sua produção. Se está disposto a investir, é muito bom para o nosso setor”, afirma Cunha.

No arrendamento, também foi incluída a unidade de produção de briquetes de bagaço de cana que são comercializados para queima em padarias, pizzarias e restaurantes, além de gerar energia para a própria usina durante a safra. Procurado para falar sobre o negócio, o grupo Bertin não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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