Governo poderá comprar usina de álcool de Barbalha

A aprovação da mensagem enviada pelo Poder Executivo estadual pela Assembleia Legislativa, no último dia 29, que permite ao governo participar de leilão para adquirir a Usina Manoel Costa Filho, em Barbalha, obteve ampla repercussão favorável na região do Cariri cearense. Lideranças políticas, empresariais e sindicais comemoraram a decisão dos deputados estaduais na aprovação.

Desativada em 2005, a usina gerava cerca de 500 empregos e movimentava a economia da região. “Estamos todos satisfeitos e esperamos que esse é o primeiro passo para a retomada de um empreendimento que significa o desenvolvimento da região no setor agroindustrial”, disse o secretário de Agricultura de Barbalha, Elismar de Vasconcelos. “Agora vamos aguardar novas discussões, analisar como será o futuro da empresa, a forma de gerenciamento”.

Na opinião do titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Nelson Martins, a reutilização da Usina Manoel Costa Filho é a chance de dar mais um impulso à economia daquela região. “Existe um anseio generalizado na região pela revitalização da indústria sulcroalcooleira e também da agricultura de cana. Esse projeto vem sendo discutido desde 2009. Foram feitas várias demandas para o governador Cid Gomes nesse sentido. E o governo tem esse compromisso”.

Nelson Martins afirma que foi realizado um estudo aprofundado por consultoria especializada contratada pelo governo a fim de identificar o valor da usina. O leilão pela Justiça deverá ocorrer no próximo dia 7 de junho, ao meio-dia, na Caixa Econômica Federal, da Avenida Santos Dumont, em Fortaleza. “O valor hoje é de R$ 25.801.078,42, mas o lance mínino será 60% desse montante, R$ 15.480,00 aproximadamente. Com a aprovação do projeto de lei na Assembleia na quarta-feira última, o governo poderá participar com o lance mínimo”, disse. Segundo o titular da SDA, caso o governa consiga rematar o empreendimento pelo lance mínimo, sairá mais barato para o governo estadual do que adquirir uma nova.

“No máximo, segundo a consultoria, o governo disponibilizaria outros R$ 30 milhões. O total ficaria em torno de R$ 45 milhões ou R$ 50 milhões. Uma usina nova sairia por R$ 123 milhões. O governo pagaria ainda impostos como o ITBI e comissão do leiloeiro, mas as dívidas anteriores da usina pertencem aos donos antigos. O governo não ficará com esse ônus”, assegura o secretário.

Conforme o secretário, esse investimento teria retorno para os cofres públicos porque o controle acionário da usina renovada seria, aos poucos, repassado para parceiros da iniciativa privada. Além disso, haveria um outro tipo de ganho no setor de agricultura no Cariri. O governo funcionaria como indutor nesse processo de revitalização que contaria também com a recuperação do plantio de cana-de-açúcar, gerando emprego no campo. De acordo com levantamento da Ematerce, há cerca de nove mil hectares em condição de produzir de cana-de-açúcar nos municípios da região.

Barbalha, Crato, Jardim e Missão Velha são os municípios com maior potencial de produção da cultura. “Os vales úmidos existentes na região são próprios para o cultivo de cana-de-açúcar”, observou o secretário de Agricultura do município do Crato, Enrile Pinheiro. “Todas as lideranças regionais são favoráveis a esse projeto de lei, a iniciativa do governo para ativar a usina”.

Enrile Pinheiro acredita que a partir do ingresso do governo do Estado, a luta de mais de cinco anos será vitoriosa. “Sem a participação do governo ficaria difícil resolver esse problema”, observou. “A decisão, ao nosso ver, foi acertada e representa a aplicação de uma política de governo voltada para o desenvolvimento do setor agroindustrial da cana-de-açúcar”.

Ex-fornecedores, lideranças políticas, produtores rurais, ex-funcionários esperam com expectativa uma solução positiva para a aquisição da usina, pagamento das dívidas e retomada do investimento a partir da produção de açúcar e álcool. “Esperamos recuperar todo o canavial da região, incentivando os produtores”, disse o secretário de Agricultura de Barbalha, Elismar de Vasconcelos.

Um dos primeiros parlamentares a abordar a questão foi o deputado estadual Vasques Landim. O ex-prefeito de Aurora e suplente de deputado estadual, Carlos Macedo, considerou fundamental a reativação da usina para o crescimento do setor agrícola. O presidente da Câmara Municipal de Barbalha, Daniel Barreto, observou que a iniciativa vai assegurar a geração de centenas de emprego.

A decisão do governo de participar do leilão da usina foi adotada após ampla discussão com lideranças do Cariri.

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