Golfo quer investir na agricultura brasileira

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Ainda restrito a alguns financiamentos de estoques de produtos do agronegócio, o banco de investimentos Abu Dhabi Equity Partners (Adep) pretende entrar em uma nova etapa no mercado brasileiro.

A instituição, que estrutura operações financeiras compatíveis com a Sharia (a lei islâmica), pretende realizar neste ano as primeiras de custeio agropecuário. E estuda avançar, em dois anos, para a compra de participações em empresas ligadas ao setor no Brasil.

O banco de investimento tem atualmente em seu portfólio projetos de agricultura e pecuária que somam US$ 100 milhões, com possibilidade de serem aprovados ainda no primeiro semestre.

Na área de custeio agrícola, a instituição negocia com produtores de soja de Mato Grosso. O portfólio para 2013 considera ainda operações nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás e inclui cana-de-açúcar e gado.

Segundo Juan Fernando Valdivieso, sócio-gerente e fundador do Abu Dhabi Equity Partners, o valor das operações de custeio – que o Adep chama de “pré-colheita” – variam de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões. A ideia, diz, é colocar uma grande quantidade de recursos em um seleto grupo de produtores rurais.

Na lei Sharia, operações de custeio de safra (conhecidas como “Salam”) permitem o financiamento da produção agrícola – recursos para aquisição de sementes, adubos e defensivos – em troca da entrega posterior de produto. “Os produtores do Brasil já têm contratos de venda de grãos com tradings. Nossa intenção é aproveitar o relacionamento já existente para operar nesse mercado”, diz o executivo.

O Adep estrutura operações financeiras para outros investidores – muitos deles, bancos – do Golfo Pérsico interessados em investir no agronegócio brasileiro. Nessas operações também participa com recursos próprios, segundo Valdivieso.

Até agora, a Adep realizou duas operações com agronegócio no Brasil. Em 2012, financiou um confinamento de gado em Goiás. Na semana passada, aprovou o financiamento de estoque de etanol de uma usina de cana-de-açúcar de Mato Grosso do Sul. O executivo não divulga o valor preciso, mas informa que essas transações envolvem valores entre US$ 5 milhões e US$ 25 milhões.

No mundo islâmico, financiamentos funcionam como um contrato de “compra e venda”- a cobrança de juros é proibida por ser considerada prática de usura. Ao financiar o estoque de etanol de uma usina, o banco estabelece (no lugar da cobrança de juros) uma taxa de lucro sobre o valor atribuído ao produto. O pagamento é efetuado quando a usina vende seu estoque, geralmente três a seis meses depois.

Se o preço de venda do etanol for maior do que o acertado, explica Valdivieso, o valor adicional fica com a usina. Se for menor, a taxa de lucro acordada tem que ser paga integralmente ao banco. “Temos outras modalidades de contrato em que compartilhamos os riscos – lucro ou prejuízo. Mas ainda estamos na fase de compreender o Brasil e seus instrumentos legais. Futuramente, podemos tomar mais risco”, diz.

As operações são garantidas com ativos, que, no começo da transação, são registrados no nome da instituição financeira. O produto é segurado e armazenado fisicamente em tanques inspecionados e supervisionados por uma empresa global de monitoramento. O Adep não divulga as taxas de lucro com as quais opera no mercado brasileiro. Valdivieso se resume a dizer que são competitivas com as praticadas no país.

A terceira etapa de investimentos do Adep, prevista para iniciar em 2014, é a de projetos de private equity, diz Valdivieso. “Podemos assumir posições em companhias do agronegócio brasileiro, como as sucroalcooleiras”, afirma. Com abundância de recursos energéticos e minerais, a região do Golfo importa de 90% a 95% dos alimentos que consome, o que torna estratégico do ponto de vista de segurança alimentar o investimento no Brasil, explica.

Os países do Golfo importam açúcar, soja, algodão, carne e café brasileiros e produzem ureia, amônia, gás natural líquido, entre outros produtos demandados pelo Brasil. “Poderia ser muito atrativo conectar os dois lados, numa troca de alimentos por energia. O setor sucroalcooleiro, por exemplo, poderia receber fertilizantes de grandes companhias do Golfo e entregar açúcar. Queremos ser o banco a estruturar essa operação”, diz. Atualmente, o comércio entre as duas regiões movimenta US$ 5 bilhões, segundo o banco.

O mercado financeiro mundial, explica ele, está reduzindo sua alavancagem. Os bancos europeus, em particular, estão saindo do financiamento de commodities, reduzindo inclusive recursos para as tradings. “Vemos que podemos aproveitar essa lacuna”, afirma.

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