Gestor para pequenas usinas

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O recente movimento de consolidação que envolveu grandes usinas de açúcar e álcool no País acena agora com uma nova etapa, com a criação da Expressão Gestão Empresarial. A companhia formada por três experientes executivos do setor pretende, em um primeiro momento, captar US$ 200 milhões junto a investidores privados no exterior para comprar, modernizar, consolidar e, posteriormente, vender usinas de pequeno e médio porte.

Os recursos serão captados por um fundo de investimento privado (FIP) com assessoria financeira da Templar Gestão e Investimentos (TGI). “Devemos fazer o road show em cerca de dois meses”, contou Eduardo Pereira de Carvalho, um dos três sócios da Expressão, juntamente com Clayton Miranda e Roger Haybitle. Os três não são novatos no setor.

Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Miranda ocupou a presidência da Coimex Trading. Os dois e Haybitle participaram da criação da CZRE, empresa que originou o projeto de polos de usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, depois incorporado na criação da ETH Bioenergia, com recursos da Odebrecht.

Carvalho explicou que existe no mercado sucroalcooleiro um número elevado de usinas com problemas que não despertam interesse de grandes companhias devido ao seu porte. “As pequenas fogem do radar das grandes porque são pequenas ou porque estão defasadas tecnologicamente”, afirmou Miranda.

O executivo contou que o objetivo é captar recursos num horizonte de médio prazo para adquirir participações nestas usinas, reestruturá-las tecnologicamente e também reorganizar sua gestão. Para isso, será necessário que a Expressão detenha o controle da gestão, mesmo que não haja o controle acionário. “O objetivo é dar uma gestão única para esta série de usinas pequenas”, disse.

A expectativa é criar um grupo com capacidade de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas por ano. “Estas usinas não precisam estar próximas ou formar um polo com sinergia. A ideia não é essa. O objetivo é unificá-las através de uma gestão homogênea. Se apresentarem sinergia, é lucro”, afirmou.

A ideia do empreendimento surgiu quando o trio de executivos recém-saídos da ETH notou o número expressivo de usinas pequenas com problemas. Ao mesmo tempo, eles constataram que estas empresas não estavam no leque de interesses de grandes usinas. “São empresas com baixa produção ou que precisariam de revitalização tecnológica. Começamos, então, a pensar num novo modelo de consolidação”, disse.

Carvalho ressaltou que o grupo mapeou um universo de cerca de 40 usinas em dificuldades financeiras, sua localização e a influência de grandes grupos sobre elas, além da capacidade de expansão de área plantada. “Fizemos uma triagem conservadora de potenciais usinas, considerando a questão logística”, explicou Miranda. Desta triagem, surgiu o grupo de 12 usinas que estão em diferentes estágios de negociação neste momento.

Miranda lembrou que, no modelo de negócio, será oferecido aos atuais proprietários a continuidade na participação no negócio, seguindo um modelo bem sucedido nas usinas que formaram a ETH. Cada usina tenha uma negociação própria. Com a aquisição das usinas, o próximo passo será investir na adequação tecnológica e na organização da gestão.

O executivo acrescentou que a abertura de capital da empresa consolidada não está descartada, já que a ideia é criar uma holding que abarque todas as usinas menores.

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