Gasolina vendida nos EUA pode passar a ter 15% de etanol. Como isso beneficia as usinas de cana do Brasil

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Foto: Arquivo

A gasolina vendida nos EUA pode passar a ter mistura de 15% de etanol anidro. Hoje, a adição é de médios 10%.

O E15 (15% de anidro na gasolina) já é liberado no mercado varejista americano exceto no período de verão, porque as altas temperaturas causam ‘volatibilidade’, ou seja, causariam prejuízo aos motores conforme avaliações técnicas.

A mudança de E10 para E15 o ano todo foi cogitada em comentário feito em 12/04 pelo presidente americano Donald Trump e, se confirmada, tende a gerar benefícios para a indústria sucroenergética brasileira. Confira a seguir como o aumento da adição de anidro à gasolina nos EUA beneficia as usinas de cana (e de milho) brasileiras.

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Mercado ‘novo’ de 26 bilhões de litros 

A venda de E15 em todo o ano abre um mercado de 26 bilhões de litros de etanol, segundo previsão do presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. O volume é pouco inferior à produção total de etanol pelas unidades da região Centro-Sul do Brasil, que chegaram a 26,092 bilhões de litros na recém-concluída safra 2017/18. Somando-se aos demais estados produtores, o Brasil totalizou 38,956 bilhões de litros, em informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

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Enxugamento

A criação de novo mercado para o etanol americano enxugaria os volumes do biocombustível exportados pelos EUA. O país tornou-se o principal player exportador de anidro. Somente o Brasil importou dos americanos 1,4 bilhão de litros entre abril de 2017 e março último, conforme a Unica. Com o possível enxugamento, a indústria sucroenergética brasileira tende a ser favorecida e retomar o papel de exportadora do biocombustível.

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Sem excedentes

João Botelho, analista da INTL FCStone, informou ao jornal Valor que o E10 permitiu aos EUA um excedente de 5 bilhões de litros em 2017. E esse volume atendeu aos países importadores, como o Brasil. Mas com a provável entrada do E15, esse excedente tende a deixar de existir.

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Corrida pelo milho 

Previsões divulgadas no jornal Valor dão conta que se o E15 for colocado em prática, a indústria de etanol dos EUA terá de comprar mais 200 milhões de toneladas de milho por ano para fazer todo o biocombustível necessário. Hoje, essa indústria adquire 141,1 milhões de toneladas ao ano.

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Preços do milho nas alturas

A provável maior aquisição do cereal, que é a principal matéria-prima para fabricar etanol nos EUA, certamente empurrará para cima os preços. E, sendo assim, o custo final do etanol também subirá. A dúvida é se o preço da gasolina E15 também terá impacto nos postos. Se isso ocorrer, pode haver impacto inflacionário, o que é uma premissa até o momento descartada.

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Oferta

Como a safra brasileira 18/19 tende a ser mais alcooleira, a indústria local estaria apta a até ampliar a produção de etanol caso precise atender as vendas externas. Não há mais oferta de cana diante a temporada 17/18, mas qualquer produção não absorvida internamente, por conta de possível queda no consumo, pode atender a consumidores como os americanos.

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Bônus ambiental 

É preciso lembrar, também, que o etanol de cana-de-açúcar supera o de milho pelas externalidades ambientais e isso conta pontos em estados como a Califórnia, que tem programa local de bônus para biocombustíveis mitigadores de gases de efeito estufa. Mais um ponto para o etanol de cana brasileiro.

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Se nada mudar….

Mas como por ora o E15 durante todo o ano é motivo de oratória, a indústria de etanol dos EUA acompanha o assunto segundo a segundo. Caso o tema fique apenas na retórica, novamente os produtores americanos terão excedente de etanol para vender mundo afora. Aí será um novo capítulo que o setor sucroenergético brasileiro terá de enfrentar.

Contatos com o autor deste conteúdo: delcymack@procana.com.br 

 

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